Mostrando postagens com marcador nostalgia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador nostalgia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema de Nostalgia

Pudera eu viver nas lembranças antigas
onde pessoas me eram amigas
e não faziam sentido as brigas

Quisera eu ser o que era antes
viva e alegre, sempre falante
sem medo daquilo que vinha adiante

Pudera eu voltar ao passado
e mudar tudo o que fiz de errado
E, mesmo com tudo consertado,
teria eu de fato mudado?

Quisera eu voltar atrás
mas sei que o que foi não volta mais
É estranho, o que o tempo faz:
nos deixa saudosos demais

Agora, porém, não adianta mais lembrar
Meus tempos de glória não vão voltar
Sou outra, agora, e isso preciso encarar

Quisera eu ser mais feliz
Talvez mais dona do meu nariz
e não me arrepender de tudo o que fiz

Posso apenas desejar
não brigar mais comigo
E tentar aceitar
um futuro desconhecido

Calo-me, enfim
com seu doce "meu bem"
Prometo me amar, sim
se você o fizer também

terça-feira, 19 de julho de 2011

Devaneio Sísmico

Inspiração devaneada em conjunto com Thiago Sabb, do blog: http://paradoxosismico.blogspot.com/


----------------------------------------------------------------------


E naquelas nuvens alaranjadas, quase sentia o sabor artificial daquela bala que comíamos no colégio. O gosto da sua boca no primeiro beijo.


Que gosto doce teriam aquelas nuvens, e tão macias como o seu abraço naquela tarde ensolarada, sentados na grama, olhando o céu


Com toda aquela cor, nem lembrava a cor do céu ou da grama e tampouco do sol. Só lembrava a cor da sua pele, branca, em que se concentram todas as cores. Da sua boca, não há como esquecer, pois era a mesma que tomava conta das suas maçãs quando eu lhe roubava mil beijos.­


Quanto ao perfume que se desprendia de seu pescoço– melhor que o aroma da grama recém-cortada ou da terra pela chuva lavada–, este era o cheiro que se impregnava em meus cabelos, no meu travesseiro, e do qual eu não queria me livrar jamais.


Hoje, vejo que éramos só crianças –com sentimentos adultos– e que talvez muitos adultos nunca sentiram, quiçá sentirão algum dia. O mais puro, honesto, e ao contrário do poeta, o sentimento que não existia ciúmes, não para nós.­


No céu, agora, vejo as mesmas nuvens alaranjadas daquela tarde, mas o momento é outro, tão distante da beleza que foi um dia. O céu que está acima de mim pode ser o mesmo acima de você, mas o chão sem dúvida não é o mesmo, e eu já não ando pela mesma grama que costumávamos nos deitar.


Mas a noite, ainda consigo sentir o seu cheiro no travesseiro, dos dezoito aos trinta. As vezes me pego em um devaneio ou outro, tentando imaginar como seriam nossos frutos. Imagino que seriam de laranja.­ Doce como a sua boca naquele nosso primeiro beijo.




por Luiza Leite e Thiago Sabb

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Internet (ou You've Got Mail)

Este texto é um parênteses do texto anterior (Telefone).

A internet é uma coisa poderosa, dominadora. Praticamente substitui o telefone. Praticamente. Porque você pode estar conectado a um programa de bate-papo, junto com várias pessoas que você conhece, e não falar com nenhuma delas. Você sabe que elas estão ali, e isso te consola. Mas não significa que vai realmente falar com elas. Ou que elas vão falar com você. A menos que se tenha muitos assuntos com uma pessoa, todos os dias, o tempo todo, você só vai falar com ela o extremamente necessário. Mais ou menos como o telefone. Só que o telefone já deixou de ser um meio facilitador de conversas. Só se utiliza o telefone quando é extremamente necessário falar com alguém sobre algum assunto específico. Hoje em dia todo mundo tem celular, mas eles tocam cada vez menos. As pessoas se comunicam cada vez mais por escrito - SMS, e-mails, bate-papos da internet - do que por voz (a não ser as pessoas que usam programas como Skype, mas eu não conheço ninguém que faça isso com regularidade). A menos quando se encontram fisicamente.

É quase como voltar no tempo. A diferença é que as pessoas passam grande parte do tempo sentados na frente de um computador, e não numa escrivaninha escrevendo cartas à mão. O problema do computador é que as respostas são imediatas. E você tem que ficar na frente dele escrevendo e respondendo infinitamente. A vantagem das cartas é que você tinha que esperar até o destinatário responder. E enquanto se esperava, tanta coisa podia ser feita: passeios no parque, leituras, trabalho atrasado... tanta coisa! Mas ficamos trancados, em casa, na frente de uma tela mágica. Socializando no mundo virtual em vez de socializar no mundo real. Para alguns as redes sociais são um meio de acabar com a solidão. Pra mim é justamente o contrário. Fico pensando o quanto poderia aproveitar melhor se não estivesse em casa comendo chocolate e me afogando (em vez de surfando) na internet.

Mas no fim, a gente sempre escolhe o caminho mais fácil. Melhor apostar na certeza frágil de uma companhia distante que na incerteza de um laço forte e verdadeiro no mundo que existe fora da gente. É tão confortável viver dentro da gente. Mas sei que não é a maneira mais corajosa de se viver. E sem dúvida é a mais solitária.

Já esqueci porque escrevi tudo isso. Acho que eu só estava solitária e resolvi lançar esse texto no vazio, sem a mínima pretensão ou o desejo de receber uma resposta. Então, até mais tarde, vazio.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

B.V.

E quando eu não te vejo
lembro daquele beijo
tão furtivo,
mal curtido,
com sabor de vinho:
puro carinho

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Depois

É engraçado! O jeito como o seu cabelo cai por cima dos seus olhos... Quero dizer, caía. Porque agora você não tem mais cabelo, e isso é engraçado. E eu também não tenho mais aquela pinta que você adorava, aquela que eu sempre detestei... E mesmo assim, olho pra você, olho pra mim... E olha só nós dois aqui de novo. Não é engraçado? Eu acho... Quem diria que depois de viagens, filhos, livros, netos, estaríamos os dois aqui, inteiros, nesse mesmo banco - você lembra que foi aqui que você me deu aquela flor quando a gente se conheceu? - nos olhando e rindo, rindo alto!, gargalhando, relembrando nossos momentos, nossas alegrias, nossas triztezas... Ah, eu sabia, eu sempre soube, eu te falei que isso ia acontecer, não falei? Falei sim... Falei que um dia quando nossos rostos desidratassem quase por completo e só restassem rugas em nossas peles frágeis, a gente ia se encontrar de novo, disse sim. E tudo ia ser mais fácil, ia ser mais alegre, mais bonito... É claro que as coisas já não são as mesmas, mas não é isso o que é bom? Pare de me contrariar, você sabe que eu estou certa... Viu, eu sempre estive certa! E nem assim você soube me ouvir... Ah não venha com isso agora, por favor. Não, não vamos falar disso. Estamos bem agora, não estamos? Vivemos nossas vidas, cada um no seu canto, não sofremos. Foi bom assim. Se podia ter sido melhor? Ah, como é que eu vou saber? Meu querido, o que já foi é passado. Não podemos aproveitar o nosso presente? Pelo menos era o que você vivia dizendo... Eu sei. Eu sei... Vamos esquecer isso, por favor... Ah. Você não consegue. Bom, eu também não esqueci o que você me fez. É claro que eu te perdoei, na época. O que mais eu podia fazer, não é mesmo? Mas eu não esqueci. Nunca esqueci. Acho que estamos quites então.
Não sei, de repente as coisas não parecem mais tão bonitas. É, acho que não mudamos tanto assim como eu pensei. Você ainda é o mesmo garoto do cabelo na cara que partiu meu coração e eu ainda sou a garota da pinta que te fez chorar. Acho que as coisas nunca mudam, não é mesmo? É, dessa vez quem estava certo era você. Mesmo depois de tanto tempo... Acho que nunca tivemos uma chance mesmo.
Está ficando tarde. Acho melhor ir embora.
O quê? Se eu ainda gosto de você? Achei que estivesse claro. Ah, mas você sempre foi um bobo, mesmo. Você ainda gosta de mim? Mesmo? Por que não falou antes? Ah, se ainda tivéssemos tempo! Você estaria encrencado por me fazer sofrer dessa maneira! Ora, mas é claro que sofri! Eu sei que só estamos tendo essa conversa há poucos minutos, mas dentro do meu peito já aconteceram as mais diversas revoluções. Você nem imagina. Ah, quer que eu te mostre? Seu bobinho! Vou pensar no seu caso... Olha o que você me faz fazer, seu velho doidinho... Pareço uma maluca falando desse jeito. A gente sempre foi meio maluco, né, nós dois? Ah, que saudade daqueles tempos... Sabe do que eu mais tenho saudade mesmo? Adivinha. Haha, acertou! Do seu cabelo. Era tão lindo...
Ah, como é engraçado. Nós dois aqui, de novo, depois de todo esse tempo. Você podia imaginar que seria assim? É, nem eu.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

de você...

De todos os livros na estante,
de todas as cartas na gaveta,
de todas as fotos do meu álbum,
de todos os poemas do meu caderno...


o livro que me deu eu gosto mais,
a carta que me escreveu eu gosto mais,
a foto sua que tirei eu gosto mais,
os poemas que fiz pra você eu gosto mais...


De tudo o que me deu eu gosto mais,
de tudo que fiz pra você gosto mais.
Tudo o que sobrou ainda me traz,
lembranças que gosto mais.

De todos os amores que amei,
de todos por quem sofri...

Você eu amei mais,
por você sofri demais...


Mas de você, não gosto mais.

sábado, 25 de setembro de 2010

Recordação

Abriu o velho álbum, algumas fotos pularam pra fora, como se quisessem respirar um pouco de ar novo, deixar aquelas páginas claustrofóbicas um pouco antes de serem trancadas lá para sempre novamente. Pegou uma das fotos, "Meu Deus, que cabelo horrível eu tinha!" e riu, deixando de lado sua cópia de quinze anos de idade. Virou as páginas, lentamente, com cuidado, a cada nova foto um suspiro, uma lembrança, uma lágrima. "Essa aqui nunca mais vi... Esse foi morar fora... Ela era doidinha, meu Deus... Ah, que saudade, por onde será que eles andam?... Nossa, eu não tinha espelho em casa? Que cabelo pavoroso..."
Ia reconhecendo os rostos, voltava para aqueles cenários, revivia tudo mais uma vez, ah, como era bom, como foi bom, que bom que tudo aconteceu... Virou mais uma página, os olhos saltaram, ficou muda, os lábios secaram, os dedos imóveis. "Eduardo!..." Passou as pontas dos dedos magros sobre o rosto do antigo namorado, na foto rindo ao lado dela, na primeira foto deles, os dois de frente um pro outro só rindo, iguais, brancos em suas camisas gêmeas (ela em sua fase de só usar camisas, femininas ou não) estampados sobre a parede branca, os cabelos negros se destacando. Sorriu, suspirou. Tomou coragem, virou mais uma página.
E várias outras versões daquela foto surgiram: Eduardo e ela no parque, na praça, na praia, na rua, no restaurante, no ônibus, em casa, no sofá, no quarto, no colégio, na festa de formatura... E junto veio a saudade, aquela nostalgia louca, aquela dor, aquela tristeza e alegria misturadas e sem lógica nenhuma. Eles nunca tiveram lógica, mesmo. Virou a última página, temerosa. Uma foto dela, só dela, sem Eduardo (fora ele o fotógrafo). Ela de costas, naquele vestido florido que ele adorava, só com a cabeça virada, olhando pra ele, nos olhos dele, sem sorrir, mas com os lábios entreabertos, como se dissesse alguma coisa. Tentou lembrar o que poderia ser, revisitou o momento, o que ela estava dizendo, meu Deus? Devia ser algo muito importante, devia ser...
Cansada, atordoada, atormentada, deixou o álbum no chão, ergueu-se com certa dificuldade apoiando-se na mobília, as mãos finas e trêmulas, a pele muito frágil, já não era assim tão jovem... Foi para o quarto, deitou-se na grande cama, o quarto todo escuro, libertou umas últimas lágrimas réfens e resolveu tirar um cochilo. Acordou horas depois, descansada, tinha sonhado com as fotos, com aquelas pessoas, aqueles momentos de sua vida, e principalmente Eduardo...
Levantou-se de súbito, voltou à sala, apanhou o álbum no chão e o abriu na última página, sentando-se no sofá. Olhou sua foto novamente, de costas, quase fora do retângulo de papel, os lábios entreabertos e seu olhar misterioso que sempre fora sua característica mais marcante. Ela sabia agora que palavras saíam da sua boca naquele momento, pelo menos naquela imagem congelada que tinha guardada: adeus, Eduardo. Porque depois daquela foto revelada, nunca mais se viram.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Bateu uma saudade do carnaval...

Noite Dos Mascarados
(Chico Buarque e Maria Bethânia)

Quem é você?
Adivinhe, se gosta de mim

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

Quem é você, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo
Eu sou seresteiro
Poeta e cantor
O meu tempo inteiro
Só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero um violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte
Não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte
Nasci pra sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot

Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser