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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Encarando o vazio e buscando as palavras certas que se encontram escondidas em incertos destinos desconhecidos enquanto o tempo passa por mim e me encara com seus minutos sérios.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Inspirações num fim de tarde de segunda-feira

Como posso
te esquecer
se tudo em mim
lembra você?

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Não me queixo não
que quando bate a solidão
tenho os dois pés no chão
Mas quando a noite cai
e com ela o silêncio vem
tudo em mim se desfaz
não me sinto mais
ninguém.

------------------

Não quero lembrar
o que não vivemos
tampouco o tanto
que sofremos.

Só quero guardar
em minha lembrança
seu doce riso de
criança

E gravar bem nítido
em minha memória
o seu olhar
que ainda me apavora

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Impressões

Mais uma bela tarde de inverno se encaminh para o fim e consequente início de uma noite fresca de lua branca a brilhar no céu. Mas o sol ainda desponta sobre o azul pálido da abóbada celeste. As nuvens brancas e esparsas parecem flutuar, lânguidas, preguiçosas.

Passando de ônibus pelo aterro, detive meu olhar em uma certa árvore na esquina da rua do Russel, na Glória. Há algumas semanas, lembro de ter visto suas folhas amarelas cobrirem o gramado verde. Agora seus galhos compridos e altos ostentavam uma quantidade infinita de frutos vermelhos e amarelos, vistosos e inalcançáveis. Lindos frutos que não sei nomear, não sou muito entendida de botânica. Mas como eu gostaria de ter uma câmera em mãos naquele momento, que fosse pequena e bem simples, só para registrar todas as belezas que encontro nesse mundo cheio de surpresas.

Naquele momento que durou menos de um minuto, eu só tinha meus olhos e palavras para descrever o fascínio que aquela árvore, seus frutos, o céu, as nuvens, a lua que já aparecia, o mar - azul, imenso, convidando para um mergulho - exerceram sobre mim naquele fim de tardede um simples dia de agosto.

Acho que se todos os dias fossem belos como esse, eu poderia morrer de suspirar...

11/08/2011

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Ano novo

Triiiim! Toca o telefone. Do outro lado do mundo ele atende.
- Alô?
- Feliz ano novo.
- Quem... Sofia?
- Liguei pra te desejar um feliz ano novo.
- Obrigado. Mas aqui o ano novo ainda vai começar.
- É, eu sei. Mas eu queria falar com você no horário daqui.
- Hum. Por que... por que você ligou?
- Eu disse. Pra te desejar um feliz ano novo.
- Eu sei, eu sei. Mas... tem tanto tempo que a gente não se fala.
- Oito anos. Foi uma sorte você não ter mudado de número.
- É. Puxa. Eu não sei o que dizer. Como você está?
- A mesma. Você me conhece. Eu é que não conheço mais você. Casou?
- Por que você acha que eu casei?
- Ah, sei lá. A gente parou de se falar por causa disso, não foi? Porque você ia casar. E a gente não podia continuar essa relação  distorcida e doentia. E aí eu fui pro outro lado do mundo pra garantir que a gente não ia mais se contaminar um com o outro e assim poderíamos ter vidas felizes e normais. Ou pelo menos normais. E então? Casou?
- Pois é. Casei. Mas separei. Não deu certo...
- É, eu imaginei que isso pudesse acontecer.
- Ah é?
- É. Eu também casei. Pensei que se você estava tentando algo diferente, eu devia tentar também. Aí conheci um australiano lindo e louco por mim. Casei.
- Casou?! Caramba... E aí?
- E aí que como você, também não deu certo. Acho que não nascemos pra isso.
- Bem... é algo duro pra se dizer. Se não nascemos pra nos casar como todas as pessoas normais, não estamos destinados a sermos felizes como as pessoas normais. Isso não é bom.
- Você... sempre com essa mania de querer ser normal. Nós podemos ser felizes. Só que do nosso jeito. Não como as pessoas impoem. Você é feliz?
- Eu? Bom... eu tenho um bom emprego. Moro num apartamento bom, de vista pro mar. Tenho dinheiro pra viajar. Acho que sim.
- Não. Se isso é tudo o que você tem pra dizer que é feliz, então você não é feliz.
- Não sou?
- Não! Você está tentando ser feliz do jeito deles, e nós dois sabemos que só podemos ser felizes do nosso jeito!
- E qual é esse nosso jeito?
- Bem. Vou exemplificar. Eu sou separada, trabalho num restaurante de fast-food, estou atolada de dívidas, acabei de perder meu carro e quaso perco minha casa num furacão ou seja lá como eles chamam isso aqui. Mas eu tenho amigos, vou à praia todos os dias, escrevo pequenos versos que não são lidos por ninguém e chocolate não falta na minha dispensa.
- Hum. Então isso é ser feliz pra você?
- É. Mais ou menos. Mas eu sei que ainda falta alguma coisa.
- E o que é?
- Ah. Você.
- ...
- Pensa bem. Você não é feliz, eu não sou feliz. Nós dois tentamos ser felizes como as pessoas normais e nos estrepamos. Precisamos um do outro. Precisamos provar que podemos ser felizes do nosso jeito.
- Você está dizendo que devíamos nos casar?
- Não, porque aí estaríamos sendo como eles.
- Eles, eles... ta bom, e então o que devemos fazer?
- Não sei. Só liguei pra desejar feliz ano novo. E dizer que ainda te amo.
- Bem... feliz ano novo. Eu ainda te amo. Também.
- Estou feliz agora. Mesmo a quilômetros e quilômetros de distância de você.
- É. Acho que eu também. Um feliz ano novo pra você.
- Igualmente. Até o ano que vem.
- Até... ano que vem?
- Surpresa.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

- Será que vale a pena?

Você me pergunta, e eu respondo: sempre vale a pena quando a alma não é pequena. Sei que o verso não é meu, mas que importa, somos todos poetas, vivemos todos do mesmo ganha-pão, as palavras, essas ingratas, que muitas vezes nos põe no chão.

Vale a pena, eu te digo, por que não valeria? Somos jovens, apesar da sua insistência em se clamar mais velho, vá lá, tudo bem, você é velho, mas e daí? Eu digo que nós dois, juntos, somos jovens e podemos o que quisermos.

Você pergunta por que vale a pena e eu digo simplesmente que vale e pronto. Dói tanto assim? Não dói. É tão difícil? Não é. Vai mudar nossas vidas completamente? Só se a gente quiser.

As coisas não precisam ser assim tão difíceis, enroladas, complicadas. Elas podem ser exatamente do jeito que são. Uma flor é uma flor e ponto. Um beijo é um beijo e ponto. Não é preciso ir além disso.

Você me pergunta se vale a pena. Eu digo que vale. Eu grito que vale. É claro que vale. Meu amor, se a vida não vale a pena, de que adianta eu estar aqui escrevendo tudo isso às 01:55 da madrugada? Vamos lá, deixe de ser temeroso, viva e pronto, não faça perguntas.

Beba este último copo comigo e vá para a cama, sem perguntar se a alma é pequena e se viver vale a pena. Se eu digo que vale, assim, agora, acredite, é a mais pura verdade.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Desequilíbrio

E quando tudo parece estar
perfeitamente em seu lugar
vem você pra bagunçar
E me deixar assim, sem ar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ciúmes

- Sou ciumenta. Não pedi pra ser, mas sou. Sabe, é uma coisa louca... De repente sobe um negócio dentro de mim... Como um fogo se alastrando muito rápido, queimando tudo o que vê pela frente. Uma raiva, um troço, uma vontade de, de... Ai, nem sei. Não fico à vontade quando pegam minhas coisas emprestadas, meus livros então, nossa, empresto com muito peso no coração. E meus amigos, minha família, como tenho ciúmes de todos eles! É só chegar alguém novo ganhando espaço rápido que tenho vontade de esganar! Como ousa roubar assim o meu lugar? Fico louca de ciúmes mesmo! É uma doença, eu sei, eu não devia ser assim... Sabe, é até ridículo, tenho ciúme de coisas que nem são minhas ou mesmo daquelas que já não são mais...
- Hum... Isso quer dizer que eu não posso pegar um pedaço do seu bolo?
- Não, não pode.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Necessidade

Sinto uma coisa dentro de mim. Uma força, uma coisa, não posso dar nome. Sei que toma conta. Vem subindo devagarzinho, bem quietinha. Começa pelos pés, e vai subindo lentamente e me tomando o corpo todo. Me domina, me alucina. Me deixa louca. Me treme toda.
Ninguém entende. Não entendem como posso gostar desse sentimento, essa coisa tão rejeitada que ninguém quer guardar dentro de si. Mas eu gosto. Eu guardo. Tenho um cantinho só pra ela. Pra coisa. Guardo ela com cuidado, ali no fundo, e sei que ela pode explodir a qualquer momento. Mas não tenho medo. Tenho necessidade. Preciso dela junto comigo. Preciso sentir o que ela me faz sentir. E ninguém entende, ninguém entende. Coisa ruim, como pode alguém gostar?
Não é que goste;  já disse, preciso. Preciso dessa coisa dentro de mim. Preciso desse sentimento que me destrói e me constrói, conforme a música. Preciso de um alvo para direcioná-lo; e assim, vivê-lo em sua intensidade. E depois do alvo selecionado, ah, como é bom deixar o sentimento escorrer! Como é necessário...
Dizem que é preciso amar. Já eu, não acredito nisso não. Acredito que é preciso odiar. E como odeio...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Jogo

Você quer brincar?
Não basta saber as regras do jogo
Se for brincar com fogo
Saiba que vai se queimar
 
Tem certeza que quer jogar?
Olhe, tome cuidado
Você vai se magoar
Esteja avisado
 
Agora, se for mesmo brincar
Não vale depois sair
Sim, você vai chorar
Mas é melhor que aprenda a rir
 
Porque pra jogar esse jogo
Tem que ter malícia
Não dá pra bancar o bobo
Não espere só delícias
 
Vai doer, você vai ver
Vai machucar, vai te arrasar
Você vai sofrer. Pra valer.
Mas se souber brincar, vai se vingar.
 
E então? Quer jogar?

terça-feira, 13 de julho de 2010

Relato de um fato imaginário com resquícios de vinho tinto

Aconteceu. Não lembro bem se foi no meio das escadas ou dentro do elevador; não importa, na verdade. Só sei que com certeza foi em um desses dois espaços de transição, como sempre imaginei que seria, bem no meio, entre uma coisa e outra (que no fundo, não é uma coisa, nem outra).


Mas gostei assim mesmo. Desse ser e não-ser. Dessa certeza e incerteza. Desse amar e não-amar. Desse meio-termo que inventamos desde o início, “pra não complicar”.

No fim, sei que aconteceu. Enfim. E não sei se foi bom ou ruim. Se foi melhor ou pior. Se cumpriu as expectativas. O que importa, de verdade, é que já não é mais alguma coisa imaginária, impraticável, indizível, impossível.


Pronto. Aconteceu.


E agora? E agora… Agora nada. Agora espera. Agora deixa. Agora já foi.

Já passou…

Mas se passar de novo, não faço objeção.

domingo, 4 de julho de 2010

Então...

Então. Estou aqui. Será que você me vê do jeito que eu te vejo? Porque, meu bem, desde aquele beijo... Fiquei tão atordoada, e agora estou aqui. Parada.

Será que hoje vai chover? Acho que estava chovendo naquele dia. Será que só acontece quando chove? Se for... sempre achei que beijo na chuva era melhor mesmo Ah, é verdade, ainda não sei se vai acontecer.

Então. Estou aqui. Te esperando. Não demora não, ta? Se não a chuva passa, e aí... Aí a gente acorda e esquece de tudo o que aconteceu. E aí acaba.

Então... Estou aqui.
Só esperando você.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Argh.

Incrível como situações semelhantes à outras vividas anteriormente desencadeiam sensações semelhantes. Mesma pessoa; mesmo problema?. Mesma reação, mesma fuga: palavras. Um ano pode ter passado, mas ainda me sinto a mesma. E nesse caso gostaria de ser diferente. De ter mudado um pouco. Mas continuo a mesma. A mesma boba de sempre.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Nada com nada

Hoje não quero nada com o mundo.
Quero ficar soterrada sob uma montanha de lençois, colchas e travesseiros.
Hoje não quero nada com ninguém.
Quero ficar completamente só, sozinha, quieta.
Hoje não quero pensar em nada.
Quero esquecer toda a confusão que me atormenta.
Hoje não quero pensar no que que poderia ter sido.
Quero fingir que nada nunca aconteceu. Porque nada nunca aconteceu.
Hoje não quero ter que explicar nada.
Quero dizer o que sinto sem ser interpretada de maneira alguma.
Hoje não quero sonho, fantasia ou conto de fada.
Quero a realidade dura, crua e rasgada. Mais nada!
Hoje não quero nada com você.
Quero desistir de qualquer ideia louca que me tenha passado pela cabeça.
 
Cansei de sonhar, de fingir, de imaginar. Quero dormir, esquecer, fugir. Pular logo essa parte de sofrer e ir logo pra parte de seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Porque afinal nada aconteceu. Foi apenas um pesadelo muito conturbado. E ainda bem que eu já acordei.
 
E isso tudo não tem nada a ver com você. Nem com ninguém. Não tem nada a ver com nada.
 
E ponto. Final.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Carta

Eu estou te vendo agora. Você pensa que não, mas eu estou. E reparando cada ínfimo detalhe que você pensa passar despercebido. Sabe aquela flor pequenininha que você desenhou no canto do caderno enquanto todo mundo copiava o enunciado do quadro? Eu vi. E vi também quando você limpou uma lágrima que escorreu do seu olho quando viu aquela imagem forte demais que o professor estava nos mostrando. Não se preocupe, ninguém mais viu sua fraqueza. Só eu. E sabe, não acho que seja mesmo uma fraqueza. Admiro muito essa sua sensibilidade. Você talvez não saiba, mas eu admiro muitas outras coisas em você. É verdade. Ah, e agora você está sorrindo. E não é pra ninguém em particular ou de alguma coisa que tenha visto. Eu sei que não é nada disso. Sei que você está sorrindo pra si mesma. Porque está feliz consigo mesma. É a sua piada interna. Adoro isso em você. Também adoro o jeito como você escreve freneticamente num caderninho enquanto todos estão fazendo outra coisa. O que eu não sei é o que você escreve, mas imagino que coloque todos os seus pensamentos ali, pra esvaziar um pouco sua mente cansada. Porque eu vejo o seu ar de cansada quando fica muito tempo quieta olhando pela janela ou para algum canto na parede. Sei que nesses momentos você divaga, viaja por vários lugares e pensa muitas, muitas coisas, e sente também, muitas coisas. E isso te cansa. Pensar e sentir. Não é problema nenhum, sabe. Acho que todo mundo se cansa disso também. Mas cada um tem um jeito de lidar com a própria alma cansada. E você lida com ela escrevendo no seu caderninho. Você agora deve estar vermelha lendo tudo isso (e saiba que você fica linda assim, envergonhada, embora eu prefira quando você se sente à vontade); mas não se preocupe, seus segredos estão a salvo comigo. Não vou espalhá-los por aí. E se você tem medo de mim porque eu sei tudo isso de você, não tenha. Não precisa ter medo de mim. Só... fique feliz. Porque eu gosto quando você fica feliz. Eu gosto de você do jeitinho que você é. Assim, tão doce, e às vezes tão triste; mas sempre misteriosa. E se você estiver se perguntando porque eu resolvi te dizer tudo isso... bem. Acho que eu não podia mais conter tudo isso dentro de mim. Por mais que eu seja capaz de guardar muitas coisas bem escondidas, isso eu já não queria mais guardar. Por isso estou compartilhando com você. Espero que não se importe.
M.

domingo, 14 de março de 2010

Emília


Sou boneca
de pano, linhas e sonhos

Não ando, não páro em pé.
(não tenho ossos que me sustentem.)

Da minha boca costurada
nada sai.

Os meus olhos de botão não enxergam.

Meu cabelo de lã não cresce.

Não respiro, não como, não durmo.
Apenas existo.

(só vivo mesmo na imaginação da criança que me fez.)

Mas sonho, sonho muito.
Em ser um dia, gente.
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*Foto por Samantha Chuva (http://subitaimaginacao.blogspot.com/)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Vômito

amor dor confusão dúvida resposta sonho suspiro calafrio espera angústia agonia alegria besteira bobagem amor pergunta demora beijo suspiro bobeira canseira confusão euforia magia poesia solidão solução chuva calor amor brincadeira sorriso riso besteira euforia suspiro problema doideira canseira dúvida agonia alegria cantoria poesia pergunta confusão suspiro música carvão cor-de-rosa riso sorriso noite madrugada espera dúvida resposta suspiro agonia euforia agonia euforia agonia euforia agonia euforia agonia euforia agonia euforia alegria agonia alegria euforia agonia alegria euforia agonia suspiro dúvida suspiro dúvida suspiro suspiro suspiro...
 
 
 
 
 
Botei pra fora.
E agora?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Vou ou não vou?

Vou ou não vou? Vou. Sozinha? Não, não vou.

Vou ou não vou? Não vou. Não vou? Vou…

Vou ou não vou?

Não sei…

Não sei…

Vou.

Mas se eu for e não for legal? E se eu voltar pior do que já estou? E se ele estiver melhor do que eu estou?

Não vou.

Mas…

Mas e se eu não for e ele ficar pior do que está? E se eu não for e eu ficar pior do que eu estou?

Não sei…

……………………………………………………….

Fui.

Não morri. E ninguém precisava de mim.

Também acho que não preciso de ninguém.

Acho que agora está na hora de virar a página.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sapos


Começa devagar. Você quase não nota. Uma palavra incômoda ali - mas você fica quieto, não é nada. E engole o seu primeiro sapo.

O tempo vai passando e você vai se acostumando com o pequeno infortúnio. As palavras machucam, mas você empurra esse sapo pra dentro da garganta com um sorriso no rosto. Não tem problema, é para um bem maior - a 'felicidade geral da nação'. Melhor deixar assim. Estamos todos bem, não é?

Mais tempo passa e você se pergunta quando é que isso vai parar. Será que realmente faz sentido engolir tantos sapos, de uma vez? Você já está acostumado, mas será que tem que ser assim pra vida toda? Você começa a ficar cansado, o gosto deles passando da sua garganta para o estômago não é agradável de maneira alguma - mas você continua engolindo, para manter a paz, a amizade, a união ou seja lá qual for o bem maior.

O tempo passa e você percebe que só engoliu e não falou nada. Não disse nada do que estava pensando, para não prejudicar, para não machucar. Manteve-se quieto durante todo esse tempo, só engolindo os sapos. Mas você está cansado, todos não tem o direito de expressar o que pensam, o que sentem? Você não quer mais engolir sapos - isso não está certo.

E então acontece; eles tentam te enfiar pela goela, à força, o maior dos sapos que você já viu em toda a sua vida. Eles estão certo de que você vai engolir; já está acostumado mesmo. Mas você surpreende. Mais um, não. Agora chega!

E como um vulcão que esteve há muito adormecido, você explode, soltando pela boca ao invés de lava, todos os sapos que andou englindo durante todo esse tempo. Todos ficam assustados. Os sapos parecem as pragas do Egito. Todos estão com medo. Ninguém imaginava que você fosse capaz de se revoltar. Ninguém esperava que você se revoltasse. O seu trabalho era engolir os sapos. Mas você se cansou disso. Tomou suas próprias decisões.

Seu estômago não está mais cheio de sapos, e ninguém mais te força a engoli-los. As pessoas agoram temem falar com você - não é medo de você; mas medo de que você não engula mais os sapos. E aí elas perdem todo o poder que tem sobre você.

E de repente, você está livre.

Chega de sapos. Sapos, nunca mais.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Rosa com defeito

Às vezes me sinto
como uma rosa com defeito

Com perfume,
mas sem alguém que o sinta

Com belas pétalas,
mas sem alguém que as aprecie

Uma rosa é uma rosa
mas o que é uma rosa no meio de muitas?

Uma rosa com defeito
é uma rosa com defeito

E nisso, pelo menos,
ela se destaca.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Doce Liberdade

Abro os braços bem esticados

Respiro o ar fresco que sopra no meu rosto

Fecho os olhos e sorrio pro infinito

Pulo de um penhasco e vou caindo

Sem saber

Se vou me ferir

Se vou me salvar

Se vou continuar

caindo

Sem rumo

Sem medo

De me perder

De me encontrar

De procurar

De me machucar

De amar

Num dia mergulho em águas calmas

Noutro me afogo em ondas turbulentas

Sempre uma aventura

Uma novidade

.

.

.

É doce a liberdade.