sábado, 14 de abril de 2012
É noite
vem ficar
perto de mim
vem dissipar
o sonho ruim
e me deixar
dormir enfim.
É noite, amor
vem me dar
um beijo
vem matar
o meu desejo
e me fazer
um pão-de-queijo.
É noite, amor
e a lua está linda
a chuva é bem-vinda
e minha tristeza, finda.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Inverno
O frio também não deixava espaço para muitos outros pensamentos. Ela concentrava todas as suas energias em imaginar a temperatura daquela noite, só que ao contrário: 29 graus positivos, 29 graus positivos, calor, suor, praia. Era como um mantra. Imaginava uma praia de areia fervilhante com palmeiras por todo canto. Mas bastava que abrisse os olhos e contemplasse a imensidão de neve à sua frente para que se esquecesse completamente do calor e do sol. A rua, a calçada, a grama, tudo era um só, um todo único e branco, muito branco, profundo, limpo, novo, macio. Gelado. No lugar de palmeiras, pinheiros. No lugar de barracas de praia, tímidas casinhas brancas e beges, coladas umas às outras, como que tentando se esquentar. Nem o concreto aguentava o frio, mas ainda assim ela esperava, por algum sinal, um qualquer coisa que surgiria do meio da tempestade.
Aos poucos foi tomando forma. Uma figura esguia e negra, bem ao longe, quase imperceptível no meio da nevasca. Foi ficando cada vez mais nítida à medida que se aproximava, caminhando a passos confiantes e deixando suas pegadas sobre a neve fofa. Ela reconheceu a figura, e pôde então se lembrar do que esperava. Quando ele subiu as escadas da varanda, ela sentiu seu rosto se degelando aos poucos, fazendo surgir um sorriso. Ele trazia outro sobre os lábios e um pacote nas mãos enluvadas.
"Pensei que tivesse esquecido", ela disse, tomando o pacote nas mãos.
"Mesmo com toda essa neve, não esqueceria de um pedido tão importante. Abre."
Ela abriu o envelope pardo e de dentro saíram resquícios de sol, céu azul, palmeiras e areia quente. Retratos de um verão inapagável, mesmo que tão distante.
"Feliz verão", ele disse.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
Noite fria
e seu sorriso derramou o pranto
seu olhar espalhou o espanto
e seu toque estremeceu o canto
da moça que trajava o manto.
Ele então pediu licença
e beijou-lhe os lábios brandos
cravou-lhe os dentes brancos
na pele alva, aos solavancos
e ela cedeu aos seus comandos.
(Sangue)
Debaixo da carne tensa,
tremia ela de revolta
e o vampiro à sua escolta
bebia o sangue à sua volta.
A noite, agora tensa,
o viu sumir pela porta.
E o frio que corta,
acolheu a moça morta.
(Exangue)
terça-feira, 1 de março de 2011
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Você me pergunta, e eu respondo: sempre vale a pena quando a alma não é pequena. Sei que o verso não é meu, mas que importa, somos todos poetas, vivemos todos do mesmo ganha-pão, as palavras, essas ingratas, que muitas vezes nos põe no chão.
Vale a pena, eu te digo, por que não valeria? Somos jovens, apesar da sua insistência em se clamar mais velho, vá lá, tudo bem, você é velho, mas e daí? Eu digo que nós dois, juntos, somos jovens e podemos o que quisermos.
Você pergunta por que vale a pena e eu digo simplesmente que vale e pronto. Dói tanto assim? Não dói. É tão difícil? Não é. Vai mudar nossas vidas completamente? Só se a gente quiser.
As coisas não precisam ser assim tão difíceis, enroladas, complicadas. Elas podem ser exatamente do jeito que são. Uma flor é uma flor e ponto. Um beijo é um beijo e ponto. Não é preciso ir além disso.
Você me pergunta se vale a pena. Eu digo que vale. Eu grito que vale. É claro que vale. Meu amor, se a vida não vale a pena, de que adianta eu estar aqui escrevendo tudo isso às 01:55 da madrugada? Vamos lá, deixe de ser temeroso, viva e pronto, não faça perguntas.
Beba este último copo comigo e vá para a cama, sem perguntar se a alma é pequena e se viver vale a pena. Se eu digo que vale, assim, agora, acredite, é a mais pura verdade.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Ontem/Hoje
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Sobre Eternidade
terça-feira, 13 de julho de 2010
Relato de um fato imaginário com resquícios de vinho tinto
Mas gostei assim mesmo. Desse ser e não-ser. Dessa certeza e incerteza. Desse amar e não-amar. Desse meio-termo que inventamos desde o início, “pra não complicar”.
No fim, sei que aconteceu. Enfim. E não sei se foi bom ou ruim. Se foi melhor ou pior. Se cumpriu as expectativas. O que importa, de verdade, é que já não é mais alguma coisa imaginária, impraticável, indizível, impossível.
Pronto. Aconteceu.
E agora? E agora… Agora nada. Agora espera. Agora deixa. Agora já foi.
Já passou…
Mas se passar de novo, não faço objeção.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Heartbreaker
Porque você nunca foi mulher de ser ignorada. E era por isso que você me provocava daquele jeito. Você sabia que eu era incapaz de resistir ao seu olhar de assassina de corações, de heartbreaker. Porque era isso o que você era. O que você fazia. Você seduzia e colecionava corações de homens como eu. Completamente indefesos diante do seu sorriso charmoso e da doçura das suas palavras. E depois de apaixonar cada um desses corações, cansava-se da brincadeira e simplesmente livrava-se deles, desfazendo-os em pedaços tão pequenos que depois era quase impossível colocar tudo de volta no lugar. E nunca ficava totalmente bom.
Mas naquele dia, não, naquela noite... Naquela noite eu te ignorei. Ignorei até você se cansar. Até você se irritar. Até você me olhar daquele jeito molhado, quando seus olhos já não aguentam mais segurar as lágrimas, e sair da festa, sozinha, quase correndo, sem dar explicação.
E quando eu fui atrás e te encontrei lá fora, encolhida de frio, sentada quase agachada no meio-fio, tentando consertar a maquiagem borrada no espelhinho portátil, você me viu no reflexo, me viu atrás de você, e fechou o espelho com tanta violência e se virou pra mim de um jeito tão assustado que parecia que eu é que era o assassino nessa história. E então você soltou um suspiro e anunciou minha vitória, com a boca amarga. Eu peguei seu rosto em minhas mãos e disse pela milésima vez que aquilo não era uma competição, que não tínhamos apostado nada. Na verdade, me corrigi, tínhamos apostado tudo, mas os dois tinham saído vencedores. E quando você me olhou daquele jeito infantil de que entende mas que não acredita no que ouviu, eu sorri e acariciei sua bochecha com o polegar. Então você sorriu e socou de leve o meu ombro, mas antes que isso levasse a uma guerra de tapas e cosquinhas, eu te beijei.
E nenhum de nós teve seu coração despedaçado.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Palavras perdidas na noite...
Silêncio quebrado por voz musical.
Um suspiro, um afago, uma lágrima.
domingo, 4 de abril de 2010
Telefonema
sábado, 3 de abril de 2010
Bobagens
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Há vida lá fora
O ambiente era agradável, aquecido pelas luzes âmbar, o aroma de café e as conversas amigáveis. Muito melhor do que a frieza da chuva lá fora. Entrou, pediu um café e sentou-se no único lugar vazio, no fim do balcão em frente à janela que dava para a rua. Ficou lá, esperando ser servido e olhando as luzes brilharem timidamente na noite lá fora.
Devido à forte chuva que caía, as ruas estavam vazias. Ouvia-se um carro arrastar água pelo asfalto e depois muito silêncio. E não havia passos apressados evitando as poças molhadas nas calçadas. Ele tinha quase certeza de que a cidade estava adormecida, a população refugiada no reduto de suas casas. A única vida que existia era ali, dentro daquele café abarrotado de calor humano em todos as significações possíveis.
Depois de aquecer-se com o último gole da bebida escura, pousou a xícara na superfície de madeira do balcão e voltou sua concentração para o mundo lá fora, a realidade paralela que existia além daquele refúgio de conforto e alento. Lá fora havia uma praça circular fracamente iluminada pelos postes onde desembocavam muitas ruas, e onde muitas pessoas transitavam ao longo do dia. Mas agora era noite e era tudo silêncio. A praça dormia, hibernava até a chuva fria passar.
Ele contemplava o mundo através daquela vidraça embassada. E deixava-se entorpecer pelo calor ameno, o conforto da cadeira, a conveniência de poder ficar ali por quanto tempo quisesse, sem pressa de voltar para a chuva hostil. Quase adormecia. Até que algo despertou-lhe a atenção.
Saída das sombras, atravessando a praça em direção ao café, uma figura passou, em frente à janela que ele observava. A barra do vestido preto, o som dos sapatos de salto e o cabelo esvoaçante por debaixo do guarda-chuva lhe apontaram que se tratava de uma mulher. Ela atravessou a rua vazia, parou em frente ao café por menos de um segundo e passou diante de seus olhos. Só passou.
Ele então despertou de seu devaneio. Acordou novamente para a vida. Deixou o dinheiro sobre o balcão, apanhou o casaco e saiu para as ruas molhadas. Respirou o ar frio e enfrentou a chuva que caía fraquinha em seu cabelo, ombros e levava embora todo o calor que sentira antes. Sorriu para a vida que se abria à sua frente. E andou de volta para casa.
------------------------------------------------------------------
*Foto de minha autoria
**Não sei qual o sentido dessa história. Apenas senti vontade de escrever. Livre para quaisquer interpretações.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Um thriller qualquer...

Folhas balançando lá fora. Que barulho foi esse?, pergunta a garota. Deve ser o vento, responde o garoto. Beijos e abraços. Mais um barulho. Mais perguntas. Não é nada...
Toc-toc. Susto e gritos! Uma sombra parada do lado de fora bate na janela. Uma alma condenada? Um zumbi sedento de sangue? Um lobisomem esfomeado? Pânico e terror se instalam no carro. Toc-toc. O garoto assustado dá a partida e saem zunindo pelo estacionamento. Ufa! Sumiu. Mais uns beijinhos? Não, melhor ir pra casa. Tem certeza? Tenho. Vamos embora. Então ta.
Uma sombra pára na frente do carro. AAAHHH!!! É o fim. Estamos perdidos! Qual o telefone da polícia? Ai meu Deus do Céu! Vamos morrer! Socorro!
Toc-toc. A sombra bate no vidro. O que fazer, o que fazer? A sombra se aproxima. Espera um pouco... Não é um zumbi! Ufa! Ufa... É um homem. Ele fala. Não escutam. Abaixam o vidro. Ele fala. O shopping fechou, vocês tem que ir embora. Ah... Obrigado. Desculpe. Sem problemas. Até logo.
Ufa! Ufa... Dirigindo, contornando os prédios de tijolinho do shopping... Mais uma sombra! Onde? Ali! Outro segurança... Não! Ah!! Toc-toc. Um homem grande, mancando, de barba comprida, bate no vidro. Medo, pavor... Calma. Não é nada. É só mais um segurança. Não é? Abaixam o vidro. A mão do homem invade o carro. Gritos. AAAHHH!
Pensamentos: Nós vamos morrer! Pai Nosso... Essas crianças de hoje...
O homem fala. Vocês esqueceram o ticket do estacionamento. Não vão conseguir passar pela cancela. Ah... Ah... Obrigado. Boa noite! Zuniram pelo asfalto novamente, assustados, aliviados, cansados. Por hoje chega!
Chegam na porta da casa dela. Finalmente, a salvo! Pára o carro. O rádio tocando. Ele olha ela olha ele. Sorrisos. Carinhos. Beijos, abraços, palavras sussurradas. Fome. Desejo. Ele: Me devora. Ela: Com prazer.
Na manhã seguinte encontraram o carro parado próximo a um canteiro, todo sujo de sangue por dentro, roupas esquecidas no assento do motorista. Nem sinal do dono do carro.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Metades
domingo, 3 de janeiro de 2010
Noite de Lua
Tirei uma foto. Quando vi, ela estava lá, no visor do celular. Tão linda quanto ao vivo. Mas aprisionada no buraco da rede de proteção da varanda.
Olho pro céu agora, e não vejo mais a lua. Sumiu. Escondeu-se atrás de outro prédio, bem lá no alto. Boa noite, lua. Até outro dia.
domingo, 15 de novembro de 2009
Suspiros na Noite
À noite no seu quarto ela ouvia o vento entrar pela janela e observava o movimento das cortinas. O silêncio e a escuridão só faziam lembrá-la de que estava completamente só. Ou quase, descontando seu gato que acabara de pular na beirada da cama com um miado fraco.
Da onde estava na janela via a lua no céu e a rua lá fora, vazia e calma. Suspirava. Era impossível dormir quando a imagem dele surgia ao fechar os olhos. E sonhar com aqueles momentos de felicidade só tornava o ato de acordar ainda pior.
Ouviu um ‘click’ estranho. O gato provavelmente pulara em cima de alguma coisa. E ela percebia agora que tinha sido sobre o botão do aparelho de som, que começara a tocar a música. Aquela que ele tinha composto especialmente para ela. Que ela nunca mais tinha escutado, mas não tivera coragem de jogar fora o CD. E aquela melodia suave agora ecoava pelos cantos sombrios e tristes de seu quarto, ganhando espaço janela afora.
Suspirou pesadamente. Virou-se para desligar a música, mas ouviu algo bater e cair. Procurou o gato, que agora ressonava embolado em sua cama desfeita. Olhou para trás e prendendo a respiração, voltou à janela. Uma pedrinha redonda se encontrava ali. Pegou-a nas mãos e como que se lembrando de algo, olhou para frente.
Parado no meio da rua com as mãos nos bolsos da calça, ele a admirava. Parecia sofrer também. Ela achava que aquilo era apenas mais um truque de sua imaginação e que deveria procurar um médico urgentemente. Até ele chamar seu nome, daquele jeito doce que a fazia derreter-se por dentro. Era real.
Saiu da janela e desceu as escadas aos tropeços. Abriu a porta com desespero e correu para a rua. Tinha sumido. Para onde fora? Ela estava ficando louca? Por que não conseguia parar de chorar? Achava que suas lágrimas haviam secado há muito tempo…
Sentiu os braços fortes e acolhedores ao seu redor e aquele cheiro tão familiar. “Estou aqui.”, falou ele num sussurro que a fez se arrepiar como antigamente, em tempos mais felizes. “Nunca mais me deixe assim”, ela disse, virando-se para olhar novamente dentro daqueles olhos negros que tanto sentira falta. Ele concordou: “Nunca”.
Beijaram-se. E seguiram para a casa abraçados.