sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Solidão tem várias formas
e diversos meios de se manifestar
Cada uma pior que a outra
e todas me fazem chorar

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Olhares

e no instante que seus olhos de agua miraram os meus
tudo em mim tornou-se gelo
azul como a cor do seu olhar

tao frio e tao profundo
que minha alma cessou de cantar.

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seu olhar era tao doce
que toda a amargura em mim
se dissolveu.

e nos meus labios
que jaziam selados
um sorriso apareceu

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Inverno

Sobretudo o frio. Era o que mais dominava seus pensamentos naquela noite branca. Na varanda da casa, coberta dos pés à cabeça de todas as peças de roupa que possuía, ela enfrentava o vento gélido e ignorava os flocos de neve que atingiam seu rosto. Sozinha na noite, ela esperava. Mas não era uma espera qualquer. Não tinha um propósito. Sabia que tinha que esperar, pois alguma coisa aconteceria. E isso era tudo.

O frio também não deixava espaço para muitos outros pensamentos. Ela concentrava todas as suas energias em imaginar a temperatura daquela noite, só que ao contrário: 29 graus positivos, 29 graus positivos, calor, suor, praia. Era como um mantra. Imaginava uma praia de areia fervilhante com palmeiras por todo canto. Mas bastava que abrisse os olhos e contemplasse a imensidão de neve à sua frente para que se esquecesse completamente do calor e do sol. A rua, a calçada, a grama, tudo era um só, um todo único e branco, muito branco, profundo, limpo, novo, macio. Gelado. No lugar de palmeiras, pinheiros. No lugar de barracas de praia, tímidas casinhas brancas e beges, coladas umas às outras, como que tentando se esquentar. Nem o concreto aguentava o frio, mas ainda assim ela esperava, por algum sinal, um qualquer coisa que surgiria do meio da tempestade.

Aos poucos foi tomando forma. Uma figura esguia e negra, bem ao longe, quase imperceptível no meio da nevasca. Foi ficando cada vez mais nítida à medida que se aproximava, caminhando a passos confiantes e deixando suas pegadas sobre a neve fofa. Ela reconheceu a figura, e pôde então se lembrar do que esperava. Quando ele subiu as escadas da varanda, ela sentiu seu rosto se degelando aos poucos, fazendo surgir um sorriso. Ele trazia outro sobre os lábios e um pacote nas mãos enluvadas.

"Pensei que tivesse esquecido", ela disse, tomando o pacote nas mãos.
"Mesmo com toda essa neve, não esqueceria de um pedido tão importante. Abre."

Ela abriu o envelope pardo e de dentro saíram resquícios de sol, céu azul, palmeiras e areia quente. Retratos de um verão inapagável, mesmo que tão distante.

"Feliz verão", ele disse.

Eles sorriram com a lembrança e o inverno pareceu derreter.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sonhos

O cheiro de gasolina imperava no ar, sobre a brisa fresca da madrugada, mascarando os hálitos de cerveja e chiclete. O som era pesado e os movimentos eram todos arrastados. A visão perdia o foco de quando em quando e a cabeça girava, girava, girava, ao mesmo tempo que ele a girava, girava, girava com um elaborado movimento de braços. Os sorrisos eram largos e as risadas longas. Os toques eram alternados, ela acariciava a camisa dele sobre o peito, e ele brincava com os cabelos trançados dela. E a conversa não terminava, emendavam um assunto no outro, e quando faltava assunto, comentavam o cheiro forte da gasolina, do caminhão que vinha abastecer o posto. Entrelaçavam os dedos, bebiam mais um gole de cerveja, os olhares se cruzavam, os lábios se encontravam.


Durante toda a noite, aquela única noite, o ritual se repetia, e a madrugada não terminava, e tudo girava, girava, girava, ela dançava, dançava e dançava, e se beijavam, beijavam, beijavam, sem ter fim, mesmo porque não tinha havido começo. Quando viram já estavam no meio de alguma coisa, que não é dia nem noite, nem 8 ou 80, nem amor nem amizade. Era só um nadinha de nada, uma coisinha dessas que acontece por acaso sem nenhum motivo e sem margem para elaboração. Um lapso. Mais nada.


E mesmo depois de horas, dias, anos, aquele lapso permaneceu como uma lembrança embrionária, de uma possibilidade não praticada, sem nunca vir a ser realizada. Quase como um sonho, daqueles que começam não sei como e são interrompidos na metade, deixando no ar a sensação de algo doce, um quase-milagre, uma pulga atrás da orelha sempre a mordiscar e reavivar aquela ideia impossível, impraticável, apenas imaginável.


E como são bons os sonhos, mesmo os sem conclusão, pois nos lembram constantemente de todas as possibilidades e de todos os milagres que a vida pode oferecer. Todos sonho é um milagre e todo beijo é uma promessa de realização de um milagre. E mesmo quando as promessas não são cumpridas, resta o doce sabor de uma recordação...
Breaking Down
Florence + The Machine

All alone
It was always there you see
And even on my own
It was always standing next to me

I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?

Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down

All alone
Even when i was a child
I've always known
That it was something to be frightened of

I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?

Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down

All alone on the edge of sleep
My old, familiar friend
Comes and lies down next to me
And i can see it coming from the edge of the room
Smiling in the streetlight
Even with my eyes shut tight
I still see him coming now

Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down


http://www.youtube.com/watch?v=a3Fra65q74c

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Encarando o vazio e buscando as palavras certas que se encontram escondidas em incertos destinos desconhecidos enquanto o tempo passa por mim e me encara com seus minutos sérios.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sozinho

Sozinho, novamente
isso não me surpreende
Mesmo em seus braços
não me sinto contente
Em meio a toda essa gente
Minha apatia é de dar dó
Desejo seu abraço
E passo outra noite só

Quero estar contigo
mas te afasto sempre que posso
não tenho mais um amigo
com minha tristeza os sufoco

Só o que tenho é o meu amor
mas descubro que amo errado
Quero você a meu lado
mas assim só te causo dor

Sem saber dar amor,
não mereço qualquer carinho
quando aprender a te dar valor
talvez não fique mais sozinho

Amar pra mim
era fugir da solidão
e negar a tristeza
Mas vejo que não é assim
a gente ama é pra ter certeza,
nem que seja um pinguinho
de estarmos completamente
sozinhos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"De longe te hei de amar
Da tranqüila distância
Em que o amor é saudade
E o desejo constância"

Cecília Meirelles