sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Poeminha para alegrar

Queria ser um raio de sol
cortar as nuvens mais densas
e alegrar suas manhãs cinzentas

Queria ser a brisa do mar
refrescar a tarde ardente
e aliviar sua cabeça quente

Queria ser um torrão de açúcar
adoçar o seu café
e te fazer um cafuné

Queria ser uma estrela
brilhar no céu marinho
e iluminar o seu caminho

Mas não sou nada disso:
nem sol nem mar,
nem açúcar nem estrela.

Sou alguém que te quer bem,
só sabe fazer poesia
e talvez, alegrar o seu dia.

domingo, 11 de novembro de 2012

Algo a dizer



O maior medo de um escritor é não ter mais o que dizer. Histórias podem sempre existir, mas é preciso saber como contá-las e o que se quer dizer com elas. Que ideia comunicar. Um escritor que perde essa capacidade deixa de ser relevante. Passa a falar sobre o nada. Não me leve a mal, há muitos que escrevem sobre o nada. Ou sobre o tudo. Mas escrevem com propriedade, com um propósito, com algo para dizer. Uma reflexão, uma crítica, o que seja. Sabem por que estão escrevendo, sabem aonde querem chegar. Eu, por exemplo, já não sei.

Sinto que mal comecei a escrever e já perdi o que ia falar. Às vezes sinto que não tenho nada a dizer. Nadinha de nada sobre nada. Como se tivesse perdido a capacidade de me comunicar, não só pela escrita, mas pela fala também. Quase já não abro a boca para falar com alguém, e quando abro, é com uma sensação de desconhecimento. As palavras me saem estranhas. Como se não me pertencessem. Como se fossem signos de uma língua estrangeira que eu não sei pronunciar, ou não sei o significado. Falo e não sei o que quero falar. Escrevo e não sei o que quero escrever. As palavras tornaram-se minhas inimigas. Zombam de mim na folha branca, escondem-se em dicionários. Tento tirar algum sentido delas, forçá-las a significar alguma coisa no meu texto. Mas elas me traem. Me enganam. Subvertem minha escrita e riem do meu esforço por fazer sentido. Me fazem de bobo.

Eu queria dizer alguma coisa quando comecei esse texto. Mas já esqueci.
As palavras fugiram de mim.

De novo.