terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sonhos

O cheiro de gasolina imperava no ar, sobre a brisa fresca da madrugada, mascarando os hálitos de cerveja e chiclete. O som era pesado e os movimentos eram todos arrastados. A visão perdia o foco de quando em quando e a cabeça girava, girava, girava, ao mesmo tempo que ele a girava, girava, girava com um elaborado movimento de braços. Os sorrisos eram largos e as risadas longas. Os toques eram alternados, ela acariciava a camisa dele sobre o peito, e ele brincava com os cabelos trançados dela. E a conversa não terminava, emendavam um assunto no outro, e quando faltava assunto, comentavam o cheiro forte da gasolina, do caminhão que vinha abastecer o posto. Entrelaçavam os dedos, bebiam mais um gole de cerveja, os olhares se cruzavam, os lábios se encontravam.


Durante toda a noite, aquela única noite, o ritual se repetia, e a madrugada não terminava, e tudo girava, girava, girava, ela dançava, dançava e dançava, e se beijavam, beijavam, beijavam, sem ter fim, mesmo porque não tinha havido começo. Quando viram já estavam no meio de alguma coisa, que não é dia nem noite, nem 8 ou 80, nem amor nem amizade. Era só um nadinha de nada, uma coisinha dessas que acontece por acaso sem nenhum motivo e sem margem para elaboração. Um lapso. Mais nada.


E mesmo depois de horas, dias, anos, aquele lapso permaneceu como uma lembrança embrionária, de uma possibilidade não praticada, sem nunca vir a ser realizada. Quase como um sonho, daqueles que começam não sei como e são interrompidos na metade, deixando no ar a sensação de algo doce, um quase-milagre, uma pulga atrás da orelha sempre a mordiscar e reavivar aquela ideia impossível, impraticável, apenas imaginável.


E como são bons os sonhos, mesmo os sem conclusão, pois nos lembram constantemente de todas as possibilidades e de todos os milagres que a vida pode oferecer. Todos sonho é um milagre e todo beijo é uma promessa de realização de um milagre. E mesmo quando as promessas não são cumpridas, resta o doce sabor de uma recordação...
Breaking Down
Florence + The Machine

All alone
It was always there you see
And even on my own
It was always standing next to me

I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?

Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down

All alone
Even when i was a child
I've always known
That it was something to be frightened of

I can see is coming from the edge of the room
Creeping in the streetlight
Holding my hand in the pear grove
Can you see it coming now?

Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down

All alone on the edge of sleep
My old, familiar friend
Comes and lies down next to me
And i can see it coming from the edge of the room
Smiling in the streetlight
Even with my eyes shut tight
I still see him coming now

Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down again
Oh - i think i'm breaking down


http://www.youtube.com/watch?v=a3Fra65q74c

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Encarando o vazio e buscando as palavras certas que se encontram escondidas em incertos destinos desconhecidos enquanto o tempo passa por mim e me encara com seus minutos sérios.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Sozinho

Sozinho, novamente
isso não me surpreende
Mesmo em seus braços
não me sinto contente
Em meio a toda essa gente
Minha apatia é de dar dó
Desejo seu abraço
E passo outra noite só

Quero estar contigo
mas te afasto sempre que posso
não tenho mais um amigo
com minha tristeza os sufoco

Só o que tenho é o meu amor
mas descubro que amo errado
Quero você a meu lado
mas assim só te causo dor

Sem saber dar amor,
não mereço qualquer carinho
quando aprender a te dar valor
talvez não fique mais sozinho

Amar pra mim
era fugir da solidão
e negar a tristeza
Mas vejo que não é assim
a gente ama é pra ter certeza,
nem que seja um pinguinho
de estarmos completamente
sozinhos.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

"De longe te hei de amar
Da tranqüila distância
Em que o amor é saudade
E o desejo constância"

Cecília Meirelles

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Bela Adormecida

O despertador me chama pra vida
mas é no sonho que quero ficar
Depois da triste despedida
é so lá que posso te encontrar

A vida me chama pro mundo
mas nele pouca coisa me agrada
Queria dormir um sono profundo
sentir seu abraço, mais nada

Quisera eu viver de sonhos
habitar um mundo de pura beleza
Mas meus pensamentos sem ti são medonhos
Me afogo em tamanha tristeza

Quero-te novamente ao meu lado
Volte, fique comigo
Te farei sentir tão amado
Nunca mais estará sem abrigo

Se voltares, te prometo
guardarei-te todos os meus beijos
Por ti, me derreto
satisfarei todos os teus desejos

Mas, se não vieres
terei muito a lamentar
Continuarei aqui, a sonhar
esperando quem venha me despertar

23/11/2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Poema pra te ter

Quero-te a todo instante
Em todo lugar evoco sua lembrança
Por ti o sentimento é grande
E se não te tenho choro como criança

Queria ter-te sob a chuva doce
Ou numa praia de ondas calmas
Fosse como fosse,
queria o teu riso me alegrando a alma

Acaba com a minha dor
Vem realizar meu desejo
Dou-te todo o meu amor
Em troca de teu doce beijo

Encontro ao acaso

Teria sido uma tarde como outra qualquer: saí do estágio, entrei no ônibus, me isolei junto à uma janela com meus fones de ouvido. Longe do mundo, sozinha com meus devaneios musicais. Mas a bateria do mp3 acabou. Pensei: vou ter que arranjar outra coisa para me distrair até poder ler minha revista na barca - porque no ônibus me dá enjôo.




De sopetão senta uma senhora ao meu lado, esbarrando-se em mim. Pede desculpas, digo que não foi nada e volto a me distrair. Mas a senhora volta a falar, e percebo que conversa comigo. Ouço com atenção. Ela tem o corpo atarracado, a pele morena de muitos anos ao sol, cabelos grisalhos presos para trás. Enquanto fala sobre o trocador de ônibus que foi grosseiro com ela no outro dia, e sobre como agora só sobe nos carros com trocadores morenos, percebo que usa muito as mãos para se expressar. E as mãos são ásperas e calejadas, com unhas muito compridas, mas fortes como cascos. Mãos árduas e trabalhadoras.




Dou razão quanto à sua atitude, melhor evitar aquele trocador mesmo. Os motoristas e trocadores da linha 422 Cosme Velho - Grajaú são mesmo muito dúbios. Alguns são bem-educados comigo, sempre param para eu subir, mesmo quando estou fora do ponto. Mas já vi alguns serem muito grosseiros com pessoas idosas. Fora a velocidade em que trafegam os motoristas, já fui derrubada em algumas curvas.




De volta à minha conversa com a senhora, ela me explica que pega o 422 todos os dias, pois trabalha ali em Laranjeiras (ou já era Catete quando ela subiu? Não prestei atenção) duas vezes na semana, fazendo faxina. Me contou também que durante os outros três dias faz faxina em uma casa em Santa Tereza, muito bonita, ela garantiu. O patrão é designer, e segundo minha companheira de ônibus, fez os projetos de vários shoppings pelo Brasil afora, inclusive o de um da Barra, "aquele que tem a estátua na frente". A senhora continua seu monólogo, e em nenhum momento me atrevo a interrompê-la, no máximo concordo com movimentos de cabeça ou algumas interjeições.




Finalmente estamos chegando perto da estação das barcas, e descubro que ela descerá junto comigo. Quando saltamos do ônibus, eu poderia ter me desvencilhado facilmente e continuado meu caminho. Mas estava tão satisfeita com minha nova companhia, que segui os passos menos velozes de minha nova amiga. Ela agora me contava sobre a fila das barcas, que ontem, dia de passeata, estavam quilométricas, impossíveis. Quis saber se eu tinha pego muita fila de manhã. Disse que não, só pego a barca bem depois do horário de pico.




Minha amiga começa a falar de sua filha, de 18 anos. É uma menina muito boa, graças a Deus, ressalta. Mais tarde descubro que quer fazer Administração. Ela fala dos filhos de um dos patrões, que coincidentemente tem os mesmos nomes que eu e meu irmão. Na barca, me sinto na obrigação de falar mais sobre mim, já que aprendi tanto sobre minha companheira. Falo do meu estágio, da faculdade, da minha família, onde moro. Eu moro no Ingá, ela na Ponta D'Areia. Direções opostas.




Quando a barca chega, nos separamos. Ela vai para um lado, em direção ao shopping Bay Market. Vai comprar um presente para a filha do patrão que fez aniversário ontem. Mais cedo em nossa conversa, me confessara que gostava muito mais dos shoppings de Niterói do que os do Rio. "Minha irmão morava ali do lado do Rio Sul, mas eu nunca ia lá. As pessoas ficam te olhando diferente, te tratam diferente, como se a gente fosse roubar alguma coisa. Aqui não, nos shoppings daqui a gente pode entrar em todas as lojas e todo mundo trata a gente bem."




Por fim, a despedida. Descubro enfim seu nome: Lourdes. Digo que gostei muito de conhecê-la, e ela me diz o mesmo. Me deseja tudo de bom e sorte no trabalho. Sem a dona Lourdes, retomo meus afazeres, me embrenhando pelas ruas do Centro, cheia de energia. Que tarde boa, que dia gostoso. É tão bom conversar com alguém.

Poema de Nostalgia

Pudera eu viver nas lembranças antigas
onde pessoas me eram amigas
e não faziam sentido as brigas

Quisera eu ser o que era antes
viva e alegre, sempre falante
sem medo daquilo que vinha adiante

Pudera eu voltar ao passado
e mudar tudo o que fiz de errado
E, mesmo com tudo consertado,
teria eu de fato mudado?

Quisera eu voltar atrás
mas sei que o que foi não volta mais
É estranho, o que o tempo faz:
nos deixa saudosos demais

Agora, porém, não adianta mais lembrar
Meus tempos de glória não vão voltar
Sou outra, agora, e isso preciso encarar

Quisera eu ser mais feliz
Talvez mais dona do meu nariz
e não me arrepender de tudo o que fiz

Posso apenas desejar
não brigar mais comigo
E tentar aceitar
um futuro desconhecido

Calo-me, enfim
com seu doce "meu bem"
Prometo me amar, sim
se você o fizer também

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O tempo passa ? Não passa - C.D.A.

O tempo passa ? Não passa


no abismo do coração.


Lá dentro, perdura a graça


do amor, florindo em canção.




O tempo nos aproxima


cada vez mais, nos reduz


a um só verso e uma rima


de mãos e olhos, na luz.




Não há tempo consumido


nem tempo a economizar.


O tempo é todo vestido


de amor e tempo de amar.




O meu tempo e o teu, amada,


transcendem qualquer medida.


Além do amor, não há nada,


amar é o sumo da vida.




São mitos de calendário


tanto o ontem como o agora,


e o teu aniversário


é um nascer a toda hora.




E nosso amor, que brotou


do tempo, não tem idade,


pois só quem ama escutou


o apelo da eternidade.



Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

19/10/2011

Quero viver bem mais que o tempo
que a sua presença durará
em minha memória,
retomando
em pensamento
toda a glória
do momento
anterior ao fim
da nossa história

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quantos

Quantas cores tem a vida
pelas lentes dos seus olhos?

quantas vidas se estendem
nas manhãs dos seus abraços?
quantos braços tem o amor
quando me envolve em seus compassos?

quantos sons compõem a música
do seu sorriso adormecido?
quantos sonhos se espalham
no seu andar distraído?

quantos passos cabem dentro
da distância que nos separa?
quantos espaços são preenchidos
quando seu beijo me cala?

quantos beijos são necessários
para fazer passar a dor?
quantos risos são indispensáveis
pra colorir o meu humor?

São perguntas que me faço
quando em você fico a pensar
enquanto espero seu chamado
para me ensinar a cantar

sobre os amores que são como pássaros
e os pássaros que são como flores,
e sobre as flores que margeiam o caminho
pro meu coração cheio de espinhos.

Não me deixe a esperar
sozinha com meu canto
porque se demorar
o canto vira pranto

E não vão mais importar
todos esses quantos
só um vai me importunar:

quanto tempo vai levar
até você vir me salvar?

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A mosca

Com a luz do sol a penetrar por entre o vidro das janelas, é possível saber que lá fora é verão e faz calor. Do contrário, só se poderia imaginar, já que dentro a temperatura beira os menores graus da escala Celsius. Uma mosca voa agoniada pela sala, batendo repetidamente no vidro que mostra o mundo acalorado lá fora, tentando assim inutilmente escapar do frio que não lhe é natural.


Eu mesma muitas vezes me identifico com essa mosca, não em relação a uma situação climática desfavorável, mas em relação a diversas situações angustiantes. Muitas vezes me vejo (e, acredito, muitos outros também) desesperada a lutar contra uma barreira invisível que me permite enxergar meu objeto de desejo, mas cujo caminho para lá chegar não consigo distinguir. Saber o que queremos muitas vezes é difícil, mas uma vez que ultrapassamos esse obstáculo, descobrimos muitos outros pelo caminho. É muito mais fácil bater de cara no vidro do que descobrir um caminho que nos leve para onde queremos ir.


A mosca sumiu. Das duas uma: ou encontrou seu caminho, ou desistiu da vida.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A (c)idade

03/10/2011

A cidade
é como a gente
muda conforme a idade

Ora se diz contente
ora procura a felicidade

Constrói monumentos
Demole sentimentos

Busca se reinventar
a cada ano que passa
querendo apenas encontrar

Algúem que ame suas praças
e com quem compartilhar
da vida, todas as graças

Inspiração

30/09/2011


Quanto mais eu a persigo, mais ela me escapa. Inspiração é coisa fugaz, não é fácil de ser capturada. É preciso estar em condições muito favoráveis para que ela se chegue sem ir embora rapidamente. Tais condições são:


- ter papel e caneta sempre à mão
- estar em contato com elementos inspiradores (natureza, música, livros, sentimentos, etc.)
- ter a mente aberta para que entrem toda a sorte de pensamentos


Aí então é capaz que uma inspiração se faça presente, mas raramente ela vem materializada diante de nós. É como um enigma que temos que decifrar. Como manifestá-la é a pergunta mais problemática. Já perdi muitas inspirações por não conseguir decifrar o modo que deveria utilizá-la. Senti o sopro artístico sobre mim, senti que algo de bom sairia se meus dedos se pusessem a escrever. Mas no mesmo instante perdi todas as palavras que conhecia e não soube como expressar a inspiração que me dominara. Aos poucos, sem meio em que pudesse se materializar, vi a energia criativa se esvaindo, indo embora para outro canto, para outro artista mais bem preparado.


Desde então a inspiração me sorri poucas vezes, e nas mais inoportunas, quando estou ocupada com outros assuntos, distraída com meus sentimentos. Tento rabiscar qualquer coisa que me vem à mente, mas não consigo ir adiante – é difícil escrever em um ônibus em movimento, ou mesmo quando se está andando. Foi-se o tempo em que meus sentimentos mais simples conseguiam despertar cargas e mais cargas de inspiração, impulsionando meu cérebro, minha escrita, traduzindo toda essa energia criativa em belos poemas e contos. Agora mal consigo terminar uma história, pequena que seja, e meus poemas não passam da primeira estrofe. Meus sentimentos já não me dizem nada, e desconfio até que andam mesmo adormecidos, anestesiados.


E quem não sente não escreve.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Inspirações num fim de tarde de segunda-feira

Como posso
te esquecer
se tudo em mim
lembra você?

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Não me queixo não
que quando bate a solidão
tenho os dois pés no chão
Mas quando a noite cai
e com ela o silêncio vem
tudo em mim se desfaz
não me sinto mais
ninguém.

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Não quero lembrar
o que não vivemos
tampouco o tanto
que sofremos.

Só quero guardar
em minha lembrança
seu doce riso de
criança

E gravar bem nítido
em minha memória
o seu olhar
que ainda me apavora

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Palavrinhas

Que alegria ler suas palavras bem dispostas no papel dobrado com carinho e entregue aos meus cuidados. Sinto nessa letra miúda todo o sentimento que queria expressar, mas só consegue liberar um pouquinho, em versinhos, porque é muito tímido. Gosto dessa timidez, porque também sou tímida, e me sinto um pouco menos quando vejo que você é bem mais do que eu.

Mas eu gosto assim, de trocarmos bilhetinhos secretos, supostamente anônimos, sem nunca falar sobre eles, mesmo quando estamos a sós, no pátio do colégio, só observando as nuvens. Gosto muito de você, e acho que nem desconfia.

Mas eu gosto assim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desejos Engarrafados

... são aqueles
desejados
com carinho
em silêncio
bem guardados
enterrados
lá no fundo
bem junto
de outros fados.
E depois de
engarrafados
passam a ser
reprimidos
retraídos
esquecidos
para sempre
para sempre
esquecidos.

Mas um dia
a tampa
abre
e de
dentro
da garrafa...




...jorram sonhos, jorram beijos, e desejos, e sorrisos, e festejos,

e amores e carinhos e abraços e beijinhos

e segredos, bem secretos, que se espalham como água, derramados pelo chão,

se infiltrando pelos cantos e inundando de paixão

todos que guardaram, bem guardados, em garrafas, seus desejos, mais profundos e que agora querem ser



realizados.

Impressões

Mais uma bela tarde de inverno se encaminh para o fim e consequente início de uma noite fresca de lua branca a brilhar no céu. Mas o sol ainda desponta sobre o azul pálido da abóbada celeste. As nuvens brancas e esparsas parecem flutuar, lânguidas, preguiçosas.

Passando de ônibus pelo aterro, detive meu olhar em uma certa árvore na esquina da rua do Russel, na Glória. Há algumas semanas, lembro de ter visto suas folhas amarelas cobrirem o gramado verde. Agora seus galhos compridos e altos ostentavam uma quantidade infinita de frutos vermelhos e amarelos, vistosos e inalcançáveis. Lindos frutos que não sei nomear, não sou muito entendida de botânica. Mas como eu gostaria de ter uma câmera em mãos naquele momento, que fosse pequena e bem simples, só para registrar todas as belezas que encontro nesse mundo cheio de surpresas.

Naquele momento que durou menos de um minuto, eu só tinha meus olhos e palavras para descrever o fascínio que aquela árvore, seus frutos, o céu, as nuvens, a lua que já aparecia, o mar - azul, imenso, convidando para um mergulho - exerceram sobre mim naquele fim de tardede um simples dia de agosto.

Acho que se todos os dias fossem belos como esse, eu poderia morrer de suspirar...

11/08/2011

sábado, 30 de julho de 2011

Decerto foram as nuvens, em sua beleza lânguida, que nos trouxeram até aqui, onde agora encaramos o horizonte.


Mas como esquecer do encanto da lua, que numa tarde qualquer (também de nuvens) me fez pensar em te querer de forma tão inesperada?


Que fez eu querer me perder em devaneios tão maravilhos, no calor do teu beijo, no conforto do teu abraço?


Ah, essa lua, que agora nos banha com sua luz admirável, certamente é a culpada pelo brotar desses sentimentos tão doces, desse amor tão fresco, tão calmo, tão belo.


E é para a noite que saio agora, ao encontro do meu amor, sob o encanto luminoso da lua cheia.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Nuvens

Nuvens como flocos de algodão coloridos cobriam o céu vespertino no dia em que te conheci. Seu riso era como música que inundava de alegria a minha tarde vazia. E eu me lembro que só queria dançar e dançar até me transformar na doce melodia do seu sorriso.


Foi quando você me beijou. E as nuvens ficaram brilhantes e explodiram no céu como fogos de artifício, enchendo de luz e cor a minha existência triste.


E daquele dia em diante, a condensação é o meu estado da água preferido.

domingo, 24 de julho de 2011

Poeminha

De mãos dadas
pela vida
vendo o dia
amanhecer

Nada temo
quando tenho
teu amor
pra me aquecer

terça-feira, 19 de julho de 2011

Devaneio Sísmico

Inspiração devaneada em conjunto com Thiago Sabb, do blog: http://paradoxosismico.blogspot.com/


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E naquelas nuvens alaranjadas, quase sentia o sabor artificial daquela bala que comíamos no colégio. O gosto da sua boca no primeiro beijo.


Que gosto doce teriam aquelas nuvens, e tão macias como o seu abraço naquela tarde ensolarada, sentados na grama, olhando o céu


Com toda aquela cor, nem lembrava a cor do céu ou da grama e tampouco do sol. Só lembrava a cor da sua pele, branca, em que se concentram todas as cores. Da sua boca, não há como esquecer, pois era a mesma que tomava conta das suas maçãs quando eu lhe roubava mil beijos.­


Quanto ao perfume que se desprendia de seu pescoço– melhor que o aroma da grama recém-cortada ou da terra pela chuva lavada–, este era o cheiro que se impregnava em meus cabelos, no meu travesseiro, e do qual eu não queria me livrar jamais.


Hoje, vejo que éramos só crianças –com sentimentos adultos– e que talvez muitos adultos nunca sentiram, quiçá sentirão algum dia. O mais puro, honesto, e ao contrário do poeta, o sentimento que não existia ciúmes, não para nós.­


No céu, agora, vejo as mesmas nuvens alaranjadas daquela tarde, mas o momento é outro, tão distante da beleza que foi um dia. O céu que está acima de mim pode ser o mesmo acima de você, mas o chão sem dúvida não é o mesmo, e eu já não ando pela mesma grama que costumávamos nos deitar.


Mas a noite, ainda consigo sentir o seu cheiro no travesseiro, dos dezoito aos trinta. As vezes me pego em um devaneio ou outro, tentando imaginar como seriam nossos frutos. Imagino que seriam de laranja.­ Doce como a sua boca naquele nosso primeiro beijo.




por Luiza Leite e Thiago Sabb

domingo, 10 de julho de 2011

Janela

Gostei das nuvens alaranjadas e esparsas sobre o céu azul-claro que apareceram na minha janela hoje.
Gostei também do azul quase negro que veio com a noite e com a lua prateada que se instalou depois.
E gostei das estrelas que se acenderam pra acompanhar.

Mas gostei mais ainda quando você me apareceu, na janela do computador, a quilômetros e horas de distância, só pra dizer que me ama.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

devaneio secreto

Sua voz soa como música nos meus ouvidos. Nem me atento às palavras que saem de seus lábios, elas não me interessam, não me dizem nada sobre você; falam de algo que eu preciso saber, mas não quero, não agora. Fecho os olhos e ouço só a sua voz, esse timbre aveludado que me faz sonhar acordada, me faz pensar como seria o gosto na boca. Vou mudando as suas palavras, e pouco a pouco, um discurso sobre história da arte vira um sussurro apaixonado soprando perto da minha orelha e eu sorrio com os olhos fechados, pensando no meu segredo.
 
Ninguém sabe dos meus devaneios.
 
À noite você me acompanha até em casa, vamos caminhando pelas ruas escuras e dessa vez eu nem me atento para os perigos da cidade, meus olhos e ouvidos estão só em você, que fala só para mim, olha só para mim, e o momento parece eterno, parece mágico, parece filme - e dou piruetas de balé no meio da calçada pra parecer filme mesmo, e você ri, me chama de doida, e eu sou mesmo. Paro na entrada do meu prédio e o caminho parece que foi curto demais. Você se despede com um aceno, mas este é o meu filme. Seguro sua mão e furtivamente toco seus lábios com os meus e eu sei que você não sabe o que fazer e por isso sorrio na sua boca. Foi pouco, alguns segundos, mas consegui sentir o gosto de chocolate da sua voz de veludo, e isso pra mim já é tudo.
 
Te deixo confuso na calçada, tentando entender, tentando me entender, e o quê fazer depois, e quase sinto pena, se não sentisse um prazer incrível por realizar essa fantasia secreta. E se no outro dia você quiser conversar, e dizer que não vai dar certo, não deve se repetir e é melhor eu desistir, vou sorrir apenas e dizer: só queria saber como era.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A saudade me abate com toda força quando olho seu retrato.
Uma saudade que não tem tamanho, que não se justifica.
Porque não é saudade de um tempo que passou,
mas de um tempo que nem existiu.

E machuca saber que não dá mais.

Te levo comigo todos os dias
te lembro sempre que posso
pra não esquecer que fez parte da minha vida
mesmo que eu não tenha feito parte da sua.

E machuca saber que não dá mais.

Machuca demais.

domingo, 19 de junho de 2011

Soneto XLIV

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo todavia.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desditoso.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo

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*Cem Sonetos de Amor - Pablo Neruda

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Internet (ou You've Got Mail)

Este texto é um parênteses do texto anterior (Telefone).

A internet é uma coisa poderosa, dominadora. Praticamente substitui o telefone. Praticamente. Porque você pode estar conectado a um programa de bate-papo, junto com várias pessoas que você conhece, e não falar com nenhuma delas. Você sabe que elas estão ali, e isso te consola. Mas não significa que vai realmente falar com elas. Ou que elas vão falar com você. A menos que se tenha muitos assuntos com uma pessoa, todos os dias, o tempo todo, você só vai falar com ela o extremamente necessário. Mais ou menos como o telefone. Só que o telefone já deixou de ser um meio facilitador de conversas. Só se utiliza o telefone quando é extremamente necessário falar com alguém sobre algum assunto específico. Hoje em dia todo mundo tem celular, mas eles tocam cada vez menos. As pessoas se comunicam cada vez mais por escrito - SMS, e-mails, bate-papos da internet - do que por voz (a não ser as pessoas que usam programas como Skype, mas eu não conheço ninguém que faça isso com regularidade). A menos quando se encontram fisicamente.

É quase como voltar no tempo. A diferença é que as pessoas passam grande parte do tempo sentados na frente de um computador, e não numa escrivaninha escrevendo cartas à mão. O problema do computador é que as respostas são imediatas. E você tem que ficar na frente dele escrevendo e respondendo infinitamente. A vantagem das cartas é que você tinha que esperar até o destinatário responder. E enquanto se esperava, tanta coisa podia ser feita: passeios no parque, leituras, trabalho atrasado... tanta coisa! Mas ficamos trancados, em casa, na frente de uma tela mágica. Socializando no mundo virtual em vez de socializar no mundo real. Para alguns as redes sociais são um meio de acabar com a solidão. Pra mim é justamente o contrário. Fico pensando o quanto poderia aproveitar melhor se não estivesse em casa comendo chocolate e me afogando (em vez de surfando) na internet.

Mas no fim, a gente sempre escolhe o caminho mais fácil. Melhor apostar na certeza frágil de uma companhia distante que na incerteza de um laço forte e verdadeiro no mundo que existe fora da gente. É tão confortável viver dentro da gente. Mas sei que não é a maneira mais corajosa de se viver. E sem dúvida é a mais solitária.

Já esqueci porque escrevi tudo isso. Acho que eu só estava solitária e resolvi lançar esse texto no vazio, sem a mínima pretensão ou o desejo de receber uma resposta. Então, até mais tarde, vazio.

Telefone

Me ligaram esses dias e eu não estava em casa. Não deixou recado, nome ou telefone pra ligar de volta. Quem me avisou disse que a pessoa ligaria de volta e tinha voz de menina, devia ser uma amiga. Mas não ligou de volta. Nem tentou o celular. E nenhuma amiga me procurou desde então pra dizer alguma coisa. Uma coisa tão importante que ela se incomodou em ligar pra minha casa - porque hoje em dia as pessoas de 20 anos não usam o telefone pra falar com os amigos, a internet existe pra isso.

Mas em algum lugar eu tenho uma amiga que ainda liga pra minha casa pra falar comigo. E se esquece de retornar a ligação. Talvez o assunto não fosse importante. Mas eu teria ficado feliz de falar no telefone com alguém, pra variar.

Como fiquei agora, ao receber um telefonema de uma amiga identificada no celular. Só queria me pedir um favor. Mas eu falei com ela com um sorriso pendurado de orelha a orelha. E é este sorriso que vai me sustentar ao longo de um dia solitário.

Mas quem é realmente solitário quando se tem amigos?

sábado, 28 de maio de 2011

Passarinho

E eu que ousava guardar você pra mim...
Não sabia que gente a gente não prendia na gaiola.

Agora voa, voa longe, lá pro céu
cantar suas dores seus amores
suas poesias
noutro canto
em outra vida

Que a minha eu vivo aqui mesmo
até chegar a hora
de voar e me ir embora

pro seu lado, uma outra vez

Segredo

Ando por um lugar desconhecido, cheio de pessoas desconhecidas e lá fora chove. Mas não me sinto triste ou sozinha. Estou rindo por dentro. Olho para aquelas pessoas que não verei nunca mais e sei que elas não me vêem - sou um fantasma. Invisível por um dia. Poderia fazer o que eu quisesse. Ninguém iria lembrar que estive aqui.

Sou como um segredo.
Daqueles bem guardados, a sete chaves e de existência completamente ignorada.

Rio comigo e com a chuva. Só ela é minha amiga.
E assim como cheguei, me fui. E tudo permaneceu igual.

Menos eu.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Desencontro

Se eu quero entrar
você quer ir pra fora
E quando eu chego
você já foi embora

Se eu me atraso
você chega na hora
E quando eu chego
você já foi embora

Eu corro atrás
e você nem dá bola
E quando eu chego
você já foi embora

Mas no final do dia
se você demora...
Quando chega,
eu já fui embora


(25/05/2011)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um outro alguém

Tem sempre um alguém
no fundo da mente turva
dizendo que o seu bem
está no fim daquela curva

Tem sempre um outro alguém
do outro lado da rua
pra lembrar que o seu bem
pode não estar na sua

Mas talvez no fim da curva
do outro lado da rua
esteja um novo alguém
querendo ser seu novo bem

sábado, 21 de maio de 2011

Antes do fim do mundo

Se os olhos são as janelas da alma, a minha agora tem cortinas.
Não é por não querer mostrar que escondo o que sinto
É por não saber o que sinto que escondo das minhas meninas.

Sempre vou lembrar daquela noite com o vinho tinto
Mesmo depois que tudo acabar, sei que o tempo vai continuar
E a realidade se confundirá com o sonho como num copo de absinto

Será que você sabe que depois de tudo ainda vou te amar?
No fim a gente perde o medo de dizer o que sequer foi pensado
Tem gente que sai dessa vida sem nunca ter amado
Se é verdade ou falácia dizer que te amo, não sei, prefiro arriscar

Portanto, não se preocupe com meus olhos tristonhos, querido
E eu não me preocupo com o seu medo de sonhar
Espero que depois que tudo isso acabar
A gente possa olhar o tempo e dizer: valeu a pena ter vivido

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ósculo furtado

Ou ele me ama ou me quer. Mas talvez ele me queira e me ame. Ou ele me queira e não me ame. Talvez ele nem me ame nem me queira. Eu não o amo, mas o quero. E ele, me ama? Ou me quer? Ou nenhum dos dois? Mas por que dar sinais então? Pra dar a ilusão de querer mesmo sem querer? Porque quer mas não sabe que quer? Porque ama e não sabe dizer? Porque quer e não ama e não quer dizer por quê? Nem ama nem quer, só quis... porque quis?

Um beijo significa tudo e tão pouco ao mesmo tempo.

Envolve tantas questões que interpretá-lo faz perder o sentido original.

Mas pra quê serve um beijo, afinal?




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Sábado, 21 de maio, 00:17




Descobri. Não sozinha, mas descobri.



Beijo não serve pra nada.

Beijo é um acontecimento.

Beijo pode significar muitas coisas: amor, carinho, desejo... e nenhuma delas também. Mas aí esse tipo de beijo nem vale a pena lembrar.


Mas o mais importante é que beijo... não diz nada.

Serve praqueles momentos que se tem muito a dizer mas... melhor não.

Momentos até em que não se deve mesmo dizer nada.

Os sentimentos podem se perder na enxurrada de palavras.


É.



Pra dizer o que não precisa ser dito com palavras.

Pra isso existe o beijo.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

De repente me deu uma vontade enorme de viver

viver muito
viver tudo
de uma vez só
e muitas vezes
repetidas
sem parar
só viver
viver
viver
.
.
.
Beber a vida como se fosse água.
E cada madrugada como se fosse dia.

sábado, 14 de maio de 2011

Ultimato

Não quero ser mais um clichê pra sua coleção
Estou trancando de vez o meu coração
Se quiser a chave vai ter que pedir perdão
Você me ama: sim ou não?

domingo, 8 de maio de 2011

Matemática dos sentimentos

solidão + solidão = meia solidão

tristeza + solidão = depressão

solidão + amor = tristeza

amor - tristeza = felicidade

paixão + felicidade = amor

paixão + tristeza + solidão = inspiração

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Fantasmas II

Virei a esquina e quase que meu sorvete se esparrama na calçada. Ali, na minha frente, estava um fantasma. Fiquei completamente imóvel e sem ação. O que se faz numa hora dessas? O fantasma parecia tão apavorado quanto eu, o que não é surpresa - eu, para ele, sou um fantasma também. Ficamos os dois mudos, com os olhos esbugalhados, de frente um para o outro. Sentia o meu sorvete escorrendo pelos meus dedos e pingando sobre o meu sapato, mas eu não podia fazer nada. O choque era grande demais. Aquele fantasma pra mim já estava morto há muitos anos.

Quando o sorvete derreteu por completo e eu deixei a casquinha escorregar para o chão, o cachorro dele avançou e começou a comer os restos e lamber os meus sapatos. Aquele cachorro levantou a cabeça e me reconheceu, mas não teve medo de mim como o dono. Dizem que animais enxergam espíritos e convivem bem com eles. O celular tocou e despertei do transe. Atendi, balbuciei palavras sem saber se faziam sentido e desliguei. Meu fantasma particular abriu um sorriso nervoso, puxou a coleira do cão e murmurou coisas inaudíveis. Meu rosto se descontraiu e então eu ri. E o fantasma riu também. Não trocamos nada além de gargalhadas.

Continuamos nossos caminhos, cada um pra um lado. Mas sei que não preciso ter medo deste fantasma num próximo encontro. Da próxima vez, vou até arriscar tocá-lo pra saber se é de carne e osso.

Fantasmas

Não tenho medo dos que já deixaram esse mundo; mas me apavoro só de pensar em encontrar alguém que não faz mais parte do meu mundo.

Linha cruzada

Vagava eu pelo cinzento mundo, em meu silêncio surdo, com os ouvidos mudos.
E subitamente me alcançaram uns sons; palavras. Lindas. Cor-de-rosa.
Encheram minha alma de alegria, transformaram minhas feições em um grande sorriso.
Busquei a fonte da minha felicidade; encontrei quem fizera tão singela declaração.
Estava de costas e falava ao telefone; sorria.

Desmoronei.
Meu mundinho voltou a escurecer, um vento frio passou por mim.
Aquelas palavras, tão lindas, tão doces, tão amorosas...
Não eram pra mim.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fugas

Quando a realidade não parece muito atraente,
Alice escapole para a toca do coelho
Adormecida cai num sono profundo
Sereia foge do mar
Uma princesa se põe a cantar.
Eu fujo para o meu mundo particular.
(uns dizem que é cor-de-rosa, já penso que está mais para cinza)
Ouço música
Leio livro
Escrevo poesia
E sonho.
Escapo para a ficção das minhas vidas inventadas.
E fico lá.
Até acordar. (mas um dia não precisarei mais)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Observação

Toda a sua essência se concentrava no silêncio de um olhar.

E num mero vacilo, se perdia para sempre na vastidão de outros olhares que nada dizem.


-.-.-.-


Ela, que pouco falava com a boca, muito dizia com os olhos.

E o que não dizia era tudo o que importava saber.


-.-.-.-


Não era tristeza que trazia nas grandes órbitas escuras.

Mas um silêncio tão profundo que era de fazer chorar.

Porém quando sorria,

junto com os cantinhos tímidos dos lábios que subiam,

iluminavam-se os olhos de lágrimas:

era esse seu jeito de alegrar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Outra

Alguém roubou minha identidade. Passou-se por mim e virou tudo de cabeça pra baixo. Não fui eu, não fui eu, tento explicar. Mas a outra é exatamente igual a mim. Tem os mesmos traços, os mesmos gestos. O mesmo cabelo, os mesmos olhos. O mesmo sorriso de satisfação. E no entanto é diferente. Não sei qual das duas parece mais feliz. Se é que é possível chamar de felicidade o que separa uma da outra. Não é isso. É outra coisa que me separa de mim mesma. Uma coisa que não conheço. Algo que não sei decifrar. E enquanto tento descobrir o que deu errado, como consegui me dividir em duas e como fazer para voltar a ser apenas uma, a outra continua solta. Livre, sem limites, sem escrúpulos. Fazendo tudo o que tem vontade. Dizendo tudo que eu tenho vontade. Correndo tão veloz qué é impossível alcançá-la e aprisioná-la novamente. O sorriso dela triunfa sobre a minha apatia, me mostra tudo o que eu quero ser e não consigo. Mas não se pode ser tudo, e isso ela não entende. De alguma forma, na divisão que foi feita, ela ficou pura emoção, e eu pura razão. Ela jamais vai me compreender. Eu jamais serei como ela. Não posso, nem devo. Mas como quero. E como temo. Temo ser ela e não ser mais quem sou. Temo ser eu e não poder mais ser ela. Que destino cruel antecipo para nós duas! Uma jamais será feliz, a outra será sempre infeliz. Separadas buscamos apenas a ilusão de ser, o almejo, o desejo, de algo que nem sabemos o quê. Necessito ser inteira novamente. Mas onde está minha outra metade? Por que fugiu de mim? Preciso costurá-la de volta em meu coração, como fez o menino que não queria crescer com sua sombra. Só assim poderei existir. Só então posso voltar a sorrir.

domingo, 3 de abril de 2011

uma noite qualquer

meu coração jamais encontrou conforto semelhante à sensação de bater junto ao seu.


nem minha pele sentiu tamanho arrepio só de estar em contato com a sua.


no escuro do seu quarto nossos corpos se encontram em sincronia e nossos cheiros se cruzam no ar.


meus cabelos se enroscam nos seus de tão perto que estão e poderiam ser tanto seus quanto meus.


o som do silêncio é lindo.


e acordar ao seu lado, mais ainda.

terça-feira, 29 de março de 2011

Adormecida

Desperto do sono, mas não do sonho. Diante de meus olhos o devaneio vai se dissipando. Olho pela janela, procurando pelas fadas. Mas elas sumiram. Olho em volta, à procura do príncipe. Ele não veio. Contemplo o mundo de cima da torre. Será que mudou um pouquinho? Será que vale a pena despertar? Me disseram pra só acordar quando príncipes voltassem a resgatar donzelas em perigo e fadas voltassem a realizar desejos e bruxas fossem extintas. Será que é esse o mundo que me espera? Talvez seja melhor voltar ao devaneio. Dormir até o sonho se realizar. ... E nisso já se vão cem anos.

domingo, 27 de março de 2011

Remake sentimental

Saudade do seu jeito
que me deixa sem jeito
esse me olhar e rir
de saber o que estou pensando

Saudade do seu beijo
quase sem defeito
sempre assim, fugaz
nunca sei se estou sonhando

~.~

Penso se você pensa em mim
de que jeito será que lembra de mim

Talvez como a garota que sonha demais
e esquece que viver é mais.

Quarta de Chuvas

E a chuva lavava tudo naquela terça-feira:
Alegrias, tristezas, desejos.
A água abençoava os festejos.
E os beijos.

Na quarta-feira a chuva continuou:
Restos de fantasia escorreram pelas ruas.
Goles de cerveja se perderam sobre as mesas.
E oportunidades se acumularam nos bueiros entupidos.

A Chave

Com muito cuidado pegou a chavinha que carregava pendurada no pescoço, segurou-a forte contra o peito e respirou fundo. Em seguida, afastou um pouco do tecido da blusa e colocou a chave na fechadura, girando-a e abrindo a pequena portinha do seu coração. Cautelosamente foi tirando um a um dos residentes e colocando-as sobre a cama, as miniaturas de todos os seus amores passados.
Arrumou-os em fila por ordem cronológica. Os primeiros eram ainda menores que as outras miniaturas, seus amores de infância que ficaram para sempre crianças em seu coração. Sorriu com afago para os três rapazinhos e os colocou numa pequena caixa quadrada que estava ali perto e trancou à chave.

Depois vieram os amores da adolescência, o primeiro beijo, o primeiro namorado, o primeiro coração partido. Beijou cada um deles na pequena testa e os guardou dentro de outra caixa, um pouco maior que a anterior, em formato de coração, e novamente passou a chave.
E então foi a vez dos pequenos flertes e romances do início da vida adulta. Eram muito mais que apenas três. Passou os olhos por cada um deles, sorrindo e lembrando de cada um deles. Por fim, guardou-os numa caixa grande, redonda. Mas não trancou ainda.

Separou um e ficou olhando-o por longo tempo. Pensando. Se era cedo demais para retirá-lo de seu coração e guardá-los na caixa de lembranças para sempre. Pelo o que ela sabia, ainda era possível um envolvimento entre os dois. Mas será que valia a pena? Será que ela não devia seguir em frente e deixá-lo na velha caixa? Seria um peso a menos em seu coração fatigado. Era algo a se considerar.

Riu de si mesma. Não importava realmente se ela o colocasse na caixa ou não, o lugar daquelezinho em especial ainda estava bem demarcado em seu coração. A falta que ele faria ali seria um constante incômodo, talvez maior que a sua presença. Que não causava tormento, nem alegria, apenas uma adorável sensação de conforto e alívio. Decidiu. Era melhor deixá-lo onde estava.
Trancou a caixa redonda, pegou a miniatura que sobrava e a colocou de volta em seu coração, trancando-o novamente. Sentiu-se bem mais leve. Mas sem a triste sensação de um coração vazio.

Dali a algum tempo, outra miniatura de um amor passaria a ocupar seu coração. E a antiga seria guardada na caixa sem hesitação. Mas só dali a algum tempo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Amores de Carnaval

Pierrôt para Colombina:

Doce menina
dos gestos de fada
do olhar que ilumina
a noite estrelada

Querida bailarina
da beleza aflorada
que dissipa a neblina
com sua voz encantada

Minha Colombina,
não seja malvada
teimosa menina
você é minha amada

Esqueça as palhaçadas
daquele arlequim
Venha reinar, minha fada
no coração do meu jardim

Ass.: Pierrôt

Colombina para Arlequim:

Perto de tudo o que existe,
meu amor nem é tão grande assim
chega a ser pequenino e triste
o sentimento que carrego em mim.


Perto de tudo o que existe,
a solidão nem é tão ruim
porque amar você consiste
em tê-lo bem longe de mim.

Perto de tudo o que existe,
nem parece distante o fim
dessa dor, que persiste,
em matar você em mim.


Mas não pense que existe
para mim outro arlequim
no máximo um pierrôt, que insiste,
em provar seu amor por mim
mas acho que ele desiste
se você voltar pra mim.

Ass.: Colombina

Arlequim para Pierrôt:

Caro Pierrôt,
Não posso mais esconder.
Preciso de você.
Vamos esquecer Colombina,
aquela ingrata menina
e fugir para longe,
além do horizonte.
Você sabe que quer.
Amo você.

Ass.: Arlequim.

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Moral (?): O amor nos tempos modernos é mais difícil que qualquer história de Romeu e Julieta.

Noite fria

A noite clara se fez turva em sua presença
e seu sorriso derramou o pranto
seu olhar espalhou o espanto
e seu toque estremeceu o canto
da moça que trajava o manto.


Ele então pediu licença
e beijou-lhe os lábios brandos
cravou-lhe os dentes brancos
na pele alva, aos solavancos
e ela cedeu aos seus comandos.

(Sangue)

Debaixo da carne tensa,
tremia ela de revolta
e o vampiro à sua escolta
bebia o sangue à sua volta.

A noite, agora tensa,
o viu sumir pela porta.
E o frio que corta,
acolheu a moça morta.

(Exangue)

terça-feira, 1 de março de 2011

Loba II

Bebo o vinho na taça,
derramo seu sangue na praça.

Beijo-lhe os olhos de pavor,
rasgo sua carne com ardor.

E quando te encontro às traças,
choro em seu peito desgraças.

(Acordo com os dentes na caça;
escorrem as lágrimas de terror)

A lua matou meu amor.
A faca cessou minha dor.

Loba

Em noites como essa te amo uma imensidão.
Mas quando a lua se completa, te devoro sem perdão.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Melhor não pensar

E quando penso em te reencontrar...

Me dá um frio,
arrepio,
alergia,
tique,
urticária,
chilique

e uma vontade louca de te ver passar...

Longe,
bem longe,
no horizonte,
sem fim,
distante,
de mim.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Domingo

E o que eu mais quero
nesse domingo de chuva,
é ganhar as ruas,
cair em seus braços,
me afogar em seus beijos
e me perder em seus passos.

Mas lá fora faz sol.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Esperando o carnaval


Amor, sinto saudade.
Mal posso esperar pra te abraçar,
quando o carnaval chegar.

Será que ainda tens a mesma vontade?
de me beijar e me agarrar,
de não soltar?

Nunca mais te vi passar
nos blocos dessa vida louca
mas guardo sua voz rouca,
do bonde a me gritar:

"Quando o carnaval chegar, quando o carnaval chegar!"

Desde então foram tantos,
não consulta os calendários?
Festejei os aniversários
do nosso amor, aos prantos

De novo o carnaval vai chegar,
e eu aqui, esperando você voltar.
Mas amor, cansei de esperar.
Estou deixando meu bloco passar.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Como esquecer

Certas coisas não vem com receita, mas isso não impede que a gente tente criar uma. Esquecer, por exemplo. Alguns dizem que a receita é bem simples, é só parar de lembrar - e sumir com tudo que lembre o elemento a ser esquecido. Mas todo mundo sabe que receitas não são cem por cento confiáveis. Mesmo seguindo-as à risca, pode ser que algo dê errado e não se atinja o resultado. Às vezes tem a ver com os ingredientes, outras vezes com o tempo de preparo. Ou ainda com o próprio executor, nem todo mundo foi feito pra fazer bolos. Ou para esquecer coisas importantes.

É engraçado a dinâmica existente entre lembrar e esquecer. Às vezes esquecemos aquilo que não devemos e lembramos daquilo que só nos faz mal. Não existe lógica no que concerne os nossos sentimentos e emoções. Mesmo que a memória seja teoricamente algo racional. Mentira. Tem tudo a ver com irracional também.

Acho que, por mais que doa lembrar daquilo que queremos esquecer, talvez seja necessário, para que um dia possamos perceber no meio disso tudo, algo que valia mesmo a pena ser guardado, e ficarmos aliviados por não termos jogado tudo fora.

RECEITAS PARA LEMBRAR:**

- Escreva um diário
- Deixe bilhetinhos espalhados por toda parte
- Conte para outras pessoas (de confiança) e para si mesmo de vez em quando
- Feche os olhos e visualize o que deve ser lembrado

RECEITAS PARA ESQUECER:**

- Jogue fora tudo o que faça lembrar (ou esconda de você mesmo em um lugar seguro)
- Apague os vestígios
- Encontre outro objeto afetivo para substituir e parar de lembrar do antigo*

*Talvez este método conduza a um ciclo inacabável de substituição de objetos afetivos por outros com o intuito de esquecer, mas não por isso deixa de ser eficaz.

**Esta esquecedora e lembradora não garante a eficiência de nenhum desses métodos e não se responsabiliza por resultados negativos. Mas ela aceita sugestões.

Duas músicas que se completam

Você Já me Esqueceu

Fernanda Takai

Vem,
Você bem sabe que aqui é o seu lugar
E, sem você, consigo apenas compreender
Que sua ausência faz a noite se alongar
Vem,
Há tanta coisa que eu preciso lhe dizer
Quando o desejo que me queima se acalmar
Preciso de você para viver

É noite, amor
E o frio entrou no quarto que foi seu e meu
Pela janela aberta onde eu me debrucei
Na espera inútil e você não apareceu

Você já me esqueceu
E eu não vejo um jeito de fazer você lembrar
De tantas vezes que eu ouvi você dizer
Que eu era tudo pra você

Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu

Você já me esqueceu
Você já me esqueceu

É noite, amor
E o frio entrou no quarto que foi seu e meu
Pela janela aberta onde eu me debrucei
Na espera inútil e você não apareceu

Você já me esqueceu
E eu não vejo um jeito de fazer você lembrar
De tantas vezes que eu ouvi você dizer
Que eu era tudo pra você

Você já me esqueceu
E a madrugada fria agora vem dizer
Que eu já não passo de nada pra você
Você já me esqueceu

Você já me esqueceu
Você já me esqueceu

Você não veio amor
Você já me esqueceu.

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Você Não Me Ensinou A Te Esquecer

Caetano Veloso

Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desepero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pedaços (de mim)

No silêncio do seu sorriso se esconde tudo aquilo que deves sentir e todas as coisas que quero ouvir. Mas seus lábios cerrados só me dizem uma coisa: tenho medo, me leva embora daqui.

................................................................

A noite é grande e eu sou pequena, mas em seus braços sou do tamanho do mundo.
Ou
A noite é grande e eu sou pequena, mas por você, tudo vale a pena.

................................................................

Em meio às palavras
proferidas aos berros,
no meio dos carros,
sobre as mesas de ferro,
Em meio às bebidas
nos copos consumidas,
na mesa de bar,
na beira do mar

O silêncio reina
na complascência
de um sorriso perdido
no fundo do Rio

................................................................

E o que eu teimo em dizer
não tem nada a ver com você,
é só o medo falando por mim,
me fazendo assim,
tão difícil de ler

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Expediente

Tomou a xícara de café, digitou no computador, atendeu telefone, imprimiu texto, desceu de elevador, olhou no relógio, entregou texto, subiu de elevador, voltou pro computador, digitou mais textos, retornou ligação, tomou mais um café, digitou mais texto, abriu e-mail, mandou e-mail, digitou texto, revisou texto, tomou outra xícara, digitou, atendeu o celular, olhou no relógio, organizou pasta, procurou pasta, atendeu telefone, digitou texto, revisou texto, imprimiu texto, comeu um lanche, olhou no relógio, olhou no relógio, olhou no relógio.

Quando deu o fim do expediente, abriu a janela e saiu voando, de volta pra casa.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Verão em Cores

Sobre o azul forte o amarelo irradiava e embaixo o verde secava o outro azul evaporava e o marrom esturricava e no preto derretia o rosa que melara a mão pálida que agora ia aos lábios vermelhos que não os dele e os vermelhos lamberam o suor transparente e depois saliva encontrou saliva e os dois derreteram sob o azul imponente sem nenhuma branca por perto.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Circo

Já tinha tempo que se olhavam. Só assim, de longe. Nem se falavam. Ele não era ninguém, e ela... Ela era todo mundo.
Ela era tudo e ele era nada naquele circo. Quase não existia. Seu riso há muito se fora. E no rosto do velho palhaço, só tristeza havia.
O que ele não sabia, é que ela também não sorria. Dançava no picadeiro, fazia mil piruetas. Mas em seu coração, muita solidão sentia.
"Sou só um pobre vagabundo", ele pensava. Mal sabia que de longe, ela sonhava, que um vagabundo a amava.
Ele um dia foi palhaço. Ela era a bailarina do circo. Ele nunca foi rico. Ela nunca ganhou um abraço.
E quando numa noite o circo pegou fogo, os dois se olharam no meio das chamas. Deram-se as mãos e fugiram das flamas. Longe, enfim sorriram. E deram fim a seus dramas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Arquivo: Livros lidos de 2007 a 2010

Sou meio compulsiva por organização e catalogação. Desde 2007, quando comecei a fazer provas de Enem e eles sempre perguntavam no questionário sócio-econômico quantos livros você lia por ano, tive curiosidade de saber qual era a minha marca. E continuei fazendo listas, pois sou meio avoada, mas não gosto de esquecer que livros eu já li e quais ainda faltam. Porque dos livros que li na infância, grande parte já esqueci, e tem alguns que eu gostava da biblioteca do colégio, mas nem lembro dos autores ou dos títulos.

E dá pra ver que desde o meu segundo ano do Ensino Médio o número de livros lidos foi diminuindo. Queria voltar a ser a leitora que eu era aos 17.

2007:

  1. Lucíola – José de Alencar
  2. Emma – Jane Austen
  3. O Diabo Veste Prada – Lauren Weisberger
  4. A Princesa Na Balada – Meg Cabot
  5. A Garota Americana – Meg Cabot
  6. Orgulho e Preconceito – Jane Austen
  7. O Primo Basílio – Eça de Queirós
  8. Garoto Encontra Garota – Meg Cabot
  9. Dom Casmurro – Machado de Assis
  10. O Cortiço – Aluísio Azevedo
  11. We – Robert A. Johnson
  12. A palavra Mágica (poesias) – Carlos Drummond de Andrade
  13. Menina das Estrelas - Ziraldo
  14. A Princesa No Limite – Meg Cabot
  15. Avalon High – Meg Cabot
  16. Água Para Elefantes – Sara Gruen
  17. A Menina Que Roubava Livros – Markus Zusak
  18. Harry Potter e as Relíquias da Morte – J.K Rowling
  19. A Moreninha (relido) – Joaquim Manuel de Macedo
  20. O Presente da Princesa – Meg Cabot

2008:

1. Lolita – Vladimir Nabokov

2. Contos Sobre Tela – Vários autores

3. She – Robert A. Johnson

4. He – Robert A. Johnson

5. Alice no País do Espelho – Lewis Carrol

6. O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini

7. A Coleira do Cão (contos) – Rubem Fonseca

8. Luísa – Maria Adelaide Amaral

9. Princesa Mia – Meg Cabot

10. A Rainha da Fofoca – Meg Cabot

11. Cantiga de Ninar – Chuck Palahniuk

12. Próprio Amor (poesias) – Marco Plácido

13. Crepúsculo – Stephenie Meyer

2009:

1. Lua Nova – Stephenie Meyer

2. O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald

3. Crônica de uma Namorada – Zélia Gattai

4. Amor de Verão – Nora Roberts

5. Todo Garoto Tem – Meg Cabot

6. Eclipse – Stephenie Meyer

7. Amanhecer – Stephenie Meyer

8. Avalon High: Coroação vol.1 – Meg Cabot

9. Sorte ou Azar? – Meg Cabot

10. Os Sertões – Euclides da Cunha – desisti no meio

11. Princesa Para Sempre – Meg Cabot

12. A Doçura do Mundo - Thrity Umrigar

13. O Diário de Bridget Jones – Helen Fielding

14. A Rosa do Inverno – Patricia (Meg) Cabot

15. O Dia do Curinga – Jostein Gaarder

16. O Garoto da casa ao lado – Meg Cabot *relido

2010:

1. Do seu coração partido (contos) – Marina Colasanti

2. Com certeza tenho amor (contos) – Marina Colasanti

3. Persuasão – Jane Austen

4. Aventuras de Alice no País das Maravilhas/Através do Espelho e o que Alice encontrou lá – Lewis Carrol

5. Memórias de Uma Gueixa – Arthur Golden

6. Clarice na Cabeceira (contos selecionados) – Clarice Lispector

7. Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

8. Doze Reis e a Moça no Labirinto do Rei – Marina Colasanti

9. Ela Foi Até o Fim – Meg Cabot

10. Memórias Inventadas: As Infâncias de Manoel de Barros

Livros de férias

Todos os anos eu acumulo uma pilha de livros para ler nas férias de janeiro. Essa é minha lista de 2011:
- Um Amor de Detetive, de Sarah Mason (concluído)
- Trilogia da Paixão, Goethe (concluído)
- Cem Sonetos de Amor, Pablo Neruda (em andamento)
- A Estrutura da Bolha de Sabão, Lygia Fadundes Telles (em andamento)
*Eu começo a ler vários livros ao mesmo tempo e acabo demorando mais pra terminá-los.
- As Aventuras de Sherlock Holmes, Arthur Conan Doyle
- Jane Eyre, Charlotte Brontë
- Era uma vez, há muito tempo atrás... , Brigid Pasulka
- Para Ler Como Um Escritor, Francine Prose (esse já estou lendo há anos e não termino. Acho que não vou terminar nunca)
- O Legado da Perda, Kiran Desai
- Da Criação ao Roteiro, Doc Comparato (era pra eu ter lido enquanto fazia aula de roteiro, mas...)
- Cartas Portuguesas, Maria Alcoforado
- Primeiro Amor, Ivan Turgueniev
- Sonetos Para Amar o Amor, Camões
Como acontece todos os anos, é bem provável que eu não consiga ler boa parte desses livros nas férias, e alguns me acompanharão ao longo dos meses que virão. Os que eu não conseguir terminar vão se acumular até o próximo ano, junto com os novos livros que ainda vou comprar/ganhar. E por isso minha cabeceira está eternamente cheia.

Just Like a Woman - Bob Dylan

Composição: Bob Dylan

Nobody feels any pain
Tonight as I stand inside the rain
Ev'rybody knows
That Baby's got new clothes
But lately I see her ribbons and her bows
Have fallen from her curls.
She takes just like a woman, yes, she does
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

Queen Mary, she's my friend
Yes, I believe I'll go see her again
Nobody has to guess
that Baby can't be blessed
Till she finally sees that she's like all the rest
With her fog, her amphetamine and her pearls.
She takes just like a woman, yes
She makes love just like a woman, yes, she does
And she aches just like a woman
But she breaks just like a little girl.

It was raining from the first
And I was dying of thirst
So I came in here
And your long-time curse hurts
But what's worse
Is this pain in here
I can't stay in here
Ain't it clear that?
I just can't fit
Yes, I believe it's time for us to quit
When we meet again
Introduced as friends
Please don't let on that you knew me when
I was hungry and it was your world.
Ah, you fake just like a woman, yes, you do
You make love just like a woman, yes, you do
Then you ache just like a woman
But you break just like a little girl.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Com a paixão vem a dor

Reconciliação

Com a paixão vem a dor! - Quem te consola,
Aflito coração, da perda infinda?
Onde o tempo fugaz que já se evola?
Eleito em vão foste a visão mais linda!
Turva-se a mente, as intenções confundo;
Aos sentidos se esquiva o excelso mundo.

Música, nisso, adeja a entrelaçar
Milhões de sons, com asas angelicais,
Que, ao na essência do homem penetrar,
Vão de eterna beleza o enchendo mais:
Já o raso olhar anseia alto destino,
Dos sons e choros o valor divino.

E o coração mais leve já garante
Que ainda vive e palpita e quer então
Retribuir o presente exuberante,
Batendo de bom grado em gratidão.
Que aí se sente em dobro - eterna seja!
De amor e sons a sorte benfazeja.

Goethe

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*Johann Wolfgang von Goethe foi o maior homem de letras da língua alemã. Seus textos mais famosos foram fruto de desilusões amorosas. Com a paixão vem a dor. E com a dor, vem a inspiração.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Do Sétimo Andar - Los Hermanos

Composição: Rodrigo Amarante


Fiz aquele anúncio e ninguém viu

Pus em quase todo lugar

a foto mais bonita que eu fiz,

você olhando pra mim



Alto aqui do sétimo andar

longe, eu via você

e a luz desperdiçada de manhã

num copo de café



Deus sabe o que quis foi te proteger

do perigo maior, que é você

E eu sei que parece o que não se diz

o seu caso é o tempo passar

Quem fala é o doutor



Parece que foi ontem, eu fiz

aquele chá de habu

pra te curar da tosse do chulé

pra te botar de pé



E foi difícil ter que te levar

àquele lugar

Como é que hoje se diz?

Você não quis ficar



Os poucos que viram você aqui

me disseram que mal você não faz

E se eu numa esquina qualquer te vir

será que você vai fugir?

Se você for, eu vou correr

Se for, eu vou.

Classificados

Procura-se um coração.
Vermelho-sangue, tamanho médio, saudável.
Foi visto pela última vez nas mãos de uma moça descuidada.
Paga-se bem. Favor devolver com urgência.

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Encontrado coração.
Vermelho-sangue, tamanho médio, saudável.
Estava em uma lata de lixo, mas foi recuperado, lavado e bem-cuidado.
Não existe a inteção de devolução.
Oferece-se em troca outro coração em bom estado, mas desesperadamente necessitado de carinho.

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Procura-se lar para abrigar dois corações apaixonados.