domingo, 3 de maio de 2009

O Amor e suas complexidades

O Amor sempre me causou um rebuliço - não tenho palavra melhor pra descrever: um misto de encanto, curiosidade, espanto. E inquietação. Desde pequena vivo no mundo da lua e acredito em contos de fada. Ora, por que não? A vida é tão mais bonita e simples vista por lentes cor-de-rosa...

Enfim. Mesmo crescida - como se 18 anos fossem experiência suficiente... - e um pouco entendida da vida, sempre me surpreendo quando me deparo com situações amorosas que não seguem a receita do "felizes-para-sempre". Como é possível pessoas que se completam não ficarem juntas pela eternidade? Por que para uns o Amor é bonito e suficiente, enquanto que para outras, é indesejado e mal-administrado? Como saber se há uma pessoa certa para cada um de nós, e se vamos encontrar essa pessoa? O Amor pode ser garantia de felicidade plena?

Sempre vivi esperando encontrar o Amor em cada esquina que eu virasse, em cada olhar de um ilustre desconhecido, em todo lugar que eu me encontrasse. E acho que encontrei. Mas agora chego a pensar que o que eu procurava ávidamente não era Amor, e sim Paixão. Afinal, não existe amor à primeira vista, e sim paixão à primeira vista, diz a psicanálise. Cientistas dizem que paixão é química e tem prazo de validade: quatro anos, em média, e depois pode ou não evoluir para amor. Admitamos então que um casal esteja apaixonado, passem-se quatro anos e eles então separem-se. Toda a magia, os beijos, abraços, carinhos, promessas e planos, tudo desaparece. Será que Paixão é sinônimo de Ilusão?

E se alguém finalmente encontra o amor mais puro e belo, a pessoa perfeita para esse alguém, e simplesmente... deixa passar? Como é possível ser feliz sabendo que teve a oportunidade de viver o Grande Amor, mas não aproveitou? (Talvez aqui eu esteja indo contra o que disse antes sobre as escolhas.)

Às vezes os maiores amores são aqueles que aconteceram em um curto espaço de tempo e duraram muito pouco, como em Romeu e Julieta, ou que esperaram uma eternidade para serem vividos, como em O Amor Nos Tempos do Cólera. Mas e aqueles em que os casais se separam ao invés de morrerem juntos ou se encontrarem no fim da vida?

Por mais que eu queira, acho que nunca vou compreender essa grande força magnética, hipnótica e maravilhosa que é o Amor. Talvez ninguém possa. E esse seja um dos grandes mistérios que fazem a vida valer a pena. Acho que eu devia me preocupar mais em viver o Amor do que em tentar compreendê-lo.

Hum. Talvez os contos de fada sejam mesmo reais; só precisamos parar de idealizá-los e começar a realizá-los.

*Filmes inspiradores:
- Apenas Uma Vez (Once)
- Ao Entardecer (Evening)

2 comentários:

Hélder disse...

Minha querida filha,
Um tanto quantio encabulado, escrevo-lhe para dizer o quanto aprecio os seus escritos, ainda mais quando assisto - literalmente - o seu processo de criação, como foram os filmes que vimos juntos neste final de semana especial - sempre especial quando temos você em casa...beijos carinhosos e saudosos do papai.
Hélder

dos sonhos disse...

Arnaldo Jabour adoraria ler isto.
Legal, legal. Bem verdadeiro.
(A sua cara. Mas, como você sabe, não a minha)

Keep up the good work!