domingo, 15 de novembro de 2009

Suspiros na Noite

À noite no seu quarto ela ouvia o vento entrar pela janela e observava o movimento das cortinas. O silêncio e a escuridão só faziam lembrá-la de que estava completamente só. Ou quase, descontando seu gato que acabara de pular na beirada da cama com um miado fraco.

Da onde estava na janela via a lua no céu e a rua lá fora, vazia e calma. Suspirava. Era impossível dormir quando a imagem dele surgia ao fechar os olhos. E sonhar com aqueles momentos de felicidade só tornava o ato de acordar ainda pior.

Ouviu um ‘click’ estranho. O gato provavelmente pulara em cima de alguma coisa. E ela percebia agora que tinha sido sobre o botão do aparelho de som, que começara a tocar a música. Aquela que ele tinha composto especialmente para ela. Que ela nunca mais tinha escutado, mas não tivera coragem de jogar fora o CD. E aquela melodia suave agora ecoava pelos cantos sombrios e tristes de seu quarto, ganhando espaço janela afora.

Suspirou pesadamente. Virou-se para desligar a música, mas ouviu algo bater e cair. Procurou o gato, que agora ressonava embolado em sua cama desfeita. Olhou para trás e prendendo a respiração, voltou à janela. Uma pedrinha redonda se encontrava ali. Pegou-a nas mãos e como que se lembrando de algo, olhou para frente.

Parado no meio da rua com as mãos nos bolsos da calça, ele a admirava. Parecia sofrer também. Ela achava que aquilo era apenas mais um truque de sua imaginação e que deveria procurar um médico urgentemente. Até ele chamar seu nome, daquele jeito doce que a fazia derreter-se por dentro. Era real.

Saiu da janela e desceu as escadas aos tropeços. Abriu a porta com desespero e correu para a rua. Tinha sumido. Para onde fora? Ela estava ficando louca? Por que não conseguia parar de chorar? Achava que suas lágrimas haviam secado há muito tempo…

Sentiu os braços fortes e acolhedores ao seu redor e aquele cheiro tão familiar. “Estou aqui.”, falou ele num sussurro que a fez se arrepiar como antigamente, em tempos mais felizes. “Nunca mais me deixe assim”, ela disse, virando-se para olhar novamente dentro daqueles olhos negros que tanto sentira falta. Ele concordou: “Nunca”.

Beijaram-se. E seguiram para a casa abraçados.

Um comentário:

Lancelote du Lac disse...

Empolgante... poderia perfeitamente fazer parte de uma ótima história. Vc mesma que escreveu? Gostaria de saber o resto dessa história.
Abçs!